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50 anos a mil, movidos pelo ritmo da batera

09 de maio de 2013, por Editorial
Por Nathana Lacerda
 
Empresária, jornalista e apaixonada por música desde pequena. Tocou teclado por muitos anos e na bateria sabe fazer o pum ti / tchá ti tchá pum tchá pum tchá
Sou apaixonada pelo Lobão desde criança. Me recordo da época em que o som das FMs embalavam a minha casa, e faziam as mulheres da casa (eu, minha mãe de minha avó) se sacudirem em meio às tarefas domésticas. Mas quando entrava um som do Lobão, nossa! O coro estava feito, e aos berros cantávamos Vida Bandida.
 
O fato é que esse “locão gente boa”, como definia minha mãe, sempre me intrigou. Quando criança, pela música e no decorrer do tempo, pelas ideias e polêmicas. Não que eu concordasse ou entendesse tudo, mas adorava o fato de existir alguém que vivia totalmente na contramão, brigando pra não se vender. Talvez minha veia jornalística já estivesse despontado.
 
Ele sumiu, e em cada aparição na mídia, com novas notícias, eu ficava feliz em vê-lo. Mas o fato é que, assim que descobri o lançamento de sua biografia “50 anos a mil”, quis saber aquelas histórias que eu não entendia, e o que estava por traz daquela “persona non grata”.
 
Devorei e reli. Agora, escrevendo pro Batera, me lembrei que ele começou na música como baterista. Vou compartilhar um trecho com vocês:
“Meu primo, João Tomáz, que tinha uns 13 anos na época (e eu achava ter 13 anos a coisa mais chique do mundo) ganhou uma bateria da minha avó e logo foi montá-la com seus amigos de 13 anos no salão do boliche ... Não pude conter a minha emoção quando vi aquele monte de barril em formação de barricada! “Eles vão brincar de guerra, que legal!”... Quando me aproximei, verifiquei pasmo que se tratava de um instrumento musical”. Com a bateria já montada, meu primo ligou o potente hi-fi no volume máximo e escolheu um disco para acompanhar...Me enchi de coragem e implorei ao meu primo para dar uma tocadinha. Saí tocando animadamente uma marchinha, no ritmo certo. Todos ficaram muito impressionados. Pronto! Foi o que faltava para um mão de onça recuperar a autoestima! Fiquei todo me achando... A partir de então, me considero antes de mais nada um baterista”.
 
A bateria está presente da página 31 até os últimos capítulos do livro de 590 páginas. Foi nela que ele compôs parte de seus sucessos, viveu suas aventuras, errou, surpreendeu, superou, mudou. Ler este livro é participar em imaginação dessa vida intensa e cheia de revelações, que se confunde, como ele mesmo diz, com a história de uma geração, de um país e um tempo. 
 
Através dessa biografia, eu, tão careta, pude pirar e viajar nessa história tão desprendida “do que os outros vão pensar”. É, sempre me encantou esse despudor dos gênios e loucos, ainda mais em uma história que se passa por traz dos panos da música, minha outra paixão. Minha dica é: se deixe envolver por essa narrativa, e tente não se identificar. Apenas tente.

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