Dia do Índio também é comemorado com música e percussão no site batera

19 de abril de 2013, por Site Batera
Hoje, 19 de abril, o calendário brasileiro destaca o "Dia do Ínio", data comemorativa que mobiliza além dos povos indígenas, toda sociedade, através da mídia, nas escolas ou comunidades, ao longo dos anos na história do país. Sabe-se que muitos instrumentos musicais e ritmos se perderam com o tempo, já que relatos mostram que no Brasil - época de Cabral, os índios somavam cerca de 5 milhões. Desde então, o choque e a influência da cultura portuguesa que resultou em massacre, escravização e aculturação de grande parte dos índios, fez com que muitas tradições se perdessem de forma irreversível.

Em entrevista ao site batera, o percussionista Emilio Martins, entre comentários e afirmações, lembra que um timbre muito característico nos rituais, é o tambor - parecido hoje com um tom, surdo ou bumbo de kit de bateria. "Não podemos esquecer de citar o tambor. Feito em madeira, cabaça e couros de animais, também tem um som bem característico das tribos", comentou. Assim, a música - pequeno pedaço do universo cultural dos povos indígenas que habitaram e habitam o país - é uma importante atividade cultural na socialização das tribos. Com enorme variedade, o que impossibilitam detalhar a relação "índio x música", o assunto também é comemorado nesta data entre músicos do cenário nacional e internacional. Como forma de expressão artística, avisos, chamados, rituais ou demonstrando sentimentos, mesmo entre diversas e diferentes tribos, regiões e épocas, ainda assim as músicas indígenas têm algumas características que são genéricas. 

Segundo Martins, os instrumentos que mais influenciaram a música brasileira foram principalmente os "sheikers" - diferentes chocalhos como o maracá por exemplo. "Também feitos de cabaça e os de sopro, muitos deles com a característica de imitar os sons dos pássaros ou de outros animais da natureza", explica. Com tanta riqueza, o tema tem atenção ocidental desde o início da colonização. Relatos mostram que pesquisas e estudos nas tribos, com o começo do século XX, se multiplicam, e hoje, a música indígena é objeto de pesquisas no mundo todo. Sabe-se que o contato com o homem branco do ocidente, resultou em parte da criação da original cultura musical indígena, mesmo que no molde europeu, direcionada para a catequese e infelizmente com grande parte conhecida apenas através de relatos literários.

Mesmo assim, Emilio afirma que não há uma evidente influência europeia na música indígena. "Teria que fazer uma pesquisa a fundo. Mas das tribos que vi, e tive contato, apesar da globalizacao dos dias de hoje, a gente ve que eles já aderem a celulares e outros equipamentos eletrônicos etc., mas a música e os rituais mantém a sua raiz sem outras influÊncias", assegura. Por isso, e ignorando manifestações em regiões de contato entre índio, branco e negro, e  ao contrário do que muita gente pensa, a música indígena não é velha nem ultrapassada, mas sim algo vivo e em mutação, constantemente praticada e renovada. "Até hoje, a maioria dos povos indígenas associa a música a um universo às vezes místico e mágico, sendo usada nas comemorações e em rituais religiosos", explica o percussionista. Desde sempre ligada a mitos e boatos, a música é usada na socialização, em cultos, ligação com os ancestrais, exorcismo, magia, ritos e cura. 

Assim, o profissional da percussão, Emilio Martins, explica que entre os instrumentos musicais mais típicos,  está o maracá. " É bem característico as flautas indignas possuem som, timbre e afinação únicos. De qualquer maneira, usando suas flautas, chocalhos ou tambores, a maioria de madeira, fibras, pedras, sementes, objetos cerâmicos, ovos, ossos, chifres e cascos de animais, o repertório de algumas culturas é relativamente sofisticado e rico em informações. Em livros de história, fica evidente que, em algumas lendas a música foi um presente dos deuses,  em outras, a música seria  originária do mundo dos sonhos, além daquelas que achavam que a criação de novas músicas era dom apenas dos pajés, em contato com deuses e ancestrais, ou de guerreiros da tribo. 

Especialistas explicam que, entre os índios, a música define o caráter da sociedade, está presente em festas entre grupos e na vida particular de cada um. As relações sociais são definidas e assinadas musicalmente, delimitando, por exemplo, faixas etárias, status social, estados afetivos, gêneros sexuais, individualidades e grupos. Também existem prescrições para uso de determinadas melodias - quem seria o intérprete, ou quando seriam executadas. São músicas e instrumentos exclusivos dos homens, outros só de mulheres, melodias apenas cantadas ou rítmicas, em ritos ou com função específica entre a tribo.

Diferente do sistema tonal do ocidente, a sonoridade também é sutil e complexa nos timbres e nas alturas de oitavas, o que dificulta a transcrição para a partitura ocidental. Por isso e com a extinção de tribos, o acervo de composições antigas só é transmitido pela prática entre as gerações. Mesmo dominada por vozes e cantos, a música indígena tem apoio instrumental e até peças orquestrais. Com um ritmo geralmente binário ou ternário, às vezes alternado em um mesmo verso, geralmente não se baseia em qualquer unidade de tempo. Assim, basicamente oral e rítmica, a música é uma extensão da fala entre os índios e tribos. 

No repertório, entre algumas culturas, os índios têm diferentes nomes e dezenas de categorias para "coisas de fazer música", como o toró (flauta de taquara), boré (flauta de osso), o mimbi (buzina) e o uaí (tambor de pele e de madeira), entre outros mais conhecidos. O índio foi na verdade, o primeiro percussionista brasileiro. Sofrendo, ou não, influência dos Europeus e depois dos Africanos, os índios já batiam os pés no chão em ritmo continuo, usavam a voz com sons diferentes e tocavam vários chocalhos. 

Conheça alguns dos instrumentos aqui:
 
* Idiofones: instrumentos que vibram por percussão ou atrito, podem ser tocados diretamente ou soarem através de movimentos indiretos. São feitos de toras de madeira, bastões de percussão, fragmentos de Madeira, chocalhos, guizos, cabaças cheias de pedras ou sementes, etc.
* Membranofones: instrumentos que soam com a vibração do toque em sua pele - ou couro, esticado como nos tambores. Raros entre os indígenas brasileiros, a literatura mostra que os existentes são cópias de modelos trazidos pelos primeiros europeus que chegaram ao Brasil.
* Aerofones: soam pela ação do ar, sendo agitados ou soprados. Numerosos e comuns, e enorme diversidade, inclui  instrumentos semelhante às trombetas, clarinetes, buzinas, apitos e flautas de um ou vários tubos, com embocadura perpendicular ou longitudinal, e até modelos para sopro nasal.
* Zumbidores: soam quando agitados no ar. Feitos com um cabo decorado que é ligado por uma corda a uma peça oval de madeira que, quando girada rapidamente, produz um forte zumbido. 

Veja um trecho do vídeo feito pelo próprio Emílio, em sua última viagem a uma tribo.
 

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