Bruno “Gafanhoto” Souza é incansável na busca por aperfeiçoar sua música. Depois de se graduar pela Universidade de Brasília em Música – Licenciatura, se mudou para os Estados Unidos em Agosto de 2011 para começar Mestrado em Drums Jazz Performance na University of Louisville, concluído em Maio de 2013 com apenas 24 anos de idade. Fez cursos com Jason Tiemann, Kendrick Scott, Edu Ribeiro, Rafael Barata, Kiko Freitas, entre outros, e já dividiu palco com Harry Pickens, Gene Perla, Miami Sax Quartet, Brandon Coleman Quartet, Luke McIntosh Sextet, entre outros, além de ser líder e diretor musical do octeto instrumental FUNQQUESTRA, que tem duas baterias juntas na formação.

Ei, presta atenção em mim!

10 de setembro de 2013, por Bruno "Gafanhoto" Souza
Imagina aquela namorada chata: Ela é linda, mas, sabe-se lá porque, a coitada não consegue emendar 1 mês de felicidade e satisfação. É aquele “ai, eu queria tanto conseguir emagrecer”, “amor, porque você não disse que eu tô bonita hoje?”, “não sei como acham aquela mocréia gostosa”, “se eu fosse você me valorizava, qualquer dia eu vou embora e quero ver como você vai ficar” – mal sabe ela que, na verdade, tá implorando para ele ficar e preencher o vazio que a insegurança dela cria.

A vida de músico não é fácil. O piso salarial de um modo geral é injusto, a desvalorização em certos casos é grande, vários espaços de trabalho estão sendo tomados por empresários financiando rios de dinheiro nas “melhores bandas dos últimos tempos da última semana”, as instituições competentes para trabalhar ao lado e assistindo os músicos são muitas das vezes omissas – MinC, ECAD, OMB…

E aí de vez em quando vejo algumas manifestações do tipo “A vida sem música seria horrível, valorize a música”, “respeitem os músicos da mesma forma que respeitam os médicos”, “não escutem fulano, olhem aqui o que é música de verdade”, entre outros. Ok, existe certa legitimidade nos discursos, mas… Fico me perguntando se isso realmente tem algum efeito.

Veja bem, não estou querendo ser polêmico e nem criticar ninguém – sei que fazem isso lutando por uma melhor vida para nossa classe. Eu só não tenho certeza se esse “grito” é a melhor forma de valorização para nós, ARTISTAS.

Acompanha comigo o outro lado da moeda: Somos uma classe “desejada” (em VÁRIOS aspectos da coisa) por grande parte da população; responsáveis por potencializar os sentimentos/momentos importantes da vida de quem nos ouve – é com a nossa música que eles se divertem, choram, se declaram, namoram, bebem, viajam; nosso produto está, mesmo que não fisicamente, a todo tempo em todo lugar; nós somos ícones, ídolos… Entende?

É aí que eu tenho receio – no sentido exato da palavra – em me despir desse personagem inerente à nossa profissão pra poder falar “EI! PRESTA ATENÇÃO EM MIM!”. Sim! Eu acho que nós precisamos nos apoderar dessa imagem de ARTISTAS que precisamos ser! E, na verdade, é isso que o público quer! É ver em alguém algo que eles nunca viram ou nunca teriam coragem de fazer…

Repito: O discurso de valorização do músico é legítimo! Só quem trabalha com isso sabe as pendengas que passamos. Mas eu proponho também outra coisa: Ao invés de gritar “me valoriza”, NÓS temos que nos valorizar e aí sim o público vai nos depositar o mesmo valor. Nós temos que estudar mais, criar mais coisas, se preparar melhor, se vestir melhor, se portar melhor, trabalhar forte pra mostrar que o Artista já tá aí, pronto pra ser ouvido. Já tem tanto resultado por aí, inclusive…

Também preciso ser honesto: Acho válido e, em certos pontos, necessário o “grito sindical”, cobrando das entidades os exercícios que eles devem fazer. Mas, artistas, por favor: Não deixem de ser artistas!

Todo mundo sabe qual é o fim que a namorada chata do primeiro parágrafo vai levar…

Até próximo mês!

Bruno "Gafanhoto" Souza

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