Nathana Lacerda - Jornalista Taiana Bueno - Jornalista Rafael Ferraz - Jornalista Daniel Cury - Redator

Em Los Angeles com Orianthi

06 de março de 2014, por Editorial
Quando o Batera procurou o baterista Arthur Rezende para conversar sobre a experiência que ele teve com a guitarrista Oritanthi, Arthur se ofereceu para escrever um artigo. Confira abaixo o artigo que o baterista escreveu com exclusividade:

 
E quando eu vejo estou no palco, fazendo a fermata para encerrar a última música do show, com a Orianthi e o Richie Sambora virados para mim esperando a finalização. Um dos momentos mais mágicos da minha vida que, para vocês entenderem, irei contar desde o começo.
 
Pela genial inspiração de uma das pessoas mais relevantes para o universo da música, Dave Stewart, nasceu o projeto BeMyBand, um concurso realizado pela Talenthouse em conjunto com a Weapons of Mass Entertainment, com o objetivo de dar oportunidade aos músicos instrumentistas de todo mundo de se lançarem ao cenário internacional.
 
Este foi o primeiro BeMyBand, e teve como artista convidada a legendária guitarrista Orianthi  - uma musicista de qualidade incontestável, que transborda arte enquanto toca seu instrumento com intensa energia, e que possui um currículo invejável, pois já atuou nos palcos com músicos como Michael Jackson, Alice Cooper, Santana, Bon Jovi etc. Para esse concurso, Orianthi precisava escolher uma banda formada por quatro músicos (baterista, baixista, guitarrista e tecladista) para acompanhá-la em um show na Troubadour, um das casas mais tradicionais da cidade de Los Angeles (EUA). Eis então que a oportunidade estava lançada.
 
Nós músicos precisávamos somente inscrever um vídeo para que a Orianthi nos conhecesse e tivesse a oportunidade de nos escolher, ou não. Poderíamos enviar algum material gravado anteriormente,  mas optei por produzir um vídeo especialmente para a ocasião. Esta etapa do concurso foi muito especial por contar com a participação popular através de uma votação simbólica. E para minha surpresa, fui contemplado com 3.398 votos, sendo o músico mais votado dentre todos participantes, fato que se tornou  ainda mais especial por eu ter sido escolhido pela Orianthi para seguir para a fase final. Algo que me surpreendeu, pois era alto o nível dos outros bateristas, e ela escolheu apenas 5 para a etapa final do concurso.
 
Lembro-me que quando recebi o e-mail da Talenthouse informando que eu havia sido selecionado para a final, estava em Belo Horizonte, prestes a subir no palco. Imagina o tamanho da inspiração que toquei nesse show. Inclusive, num determinado momento, ao golpear a caixa com extrema pressão, acertei meu dedo indicador no aro do tambor. Muitos bateristas sabem o que isso significa. Vendo que tinha machucado o dedo, me preocupei com a possibilidade de ganhar esse concurso e ter que tocar em Los Angeles com o dedo machucado. Mas nada que um bom analgésico não resolvesse. Naquele momento, nada podia segurar minha motivação e vontade de agarrar essa oportunidade de tocar com a Orianthi.
 
Eu tinha acabado de ir para a fase final e já precisava gravar um outro vídeo, desta vez tocando uma música da própria Orianthi. Porém, dispunha apenas de quatro dias para estudar a música, gravar o vídeo e editar,  o que, para resultar em um trabalho de alta qualidade, era pouco tempo. Mas enquanto eu trabalhava na edição do novo vídeo, percebia que cada segundo de trabalho e cada hora de sono perdida tinha valido a pena. Com o vídeo enviado, restava-me apenas torcer para que a Orianthi gostasse da minha performance, e me escolhesse para a sua banda.
 
Foi então que, ao acordar na madrugada do dia 5 de fevereiro, com o choro do meu filhinho de 1 ano e 9 meses, resolvi checar na minha caixa postal se tinha alguma comunicação sobre o concurso. E para minha surpresa, lá estava o e-mail do Jimmy Roc, coordenador dos Convites Criativos da Talenthouse:  “Olá Arthur, você tem algum grande plano para próxima semana? Nós precisamos que você venha para Los Angeles tocar no The Troubadour com a Orianthi.  SIM, Orianthi escolheu você como seu baterista!”. Claro que não foi possível voltar a dormir.
 
Não tive tempo para me permitir explodir de alegria. Enquanto recebia os parabéns dos amigos pela conquista, eu pensava que, diferente de um jogo em que o resultado significa o final do processo, o resultado desse concurso significava algo muito maior: um grande desafio. Afinal de contas, eu iria me apresentar, em Los Angeles, com uma popstar da música internacional. Era inevitável sentir o peso dessa responsabilidade, ainda mais tendo sido o único músico da América Latina escolhido pela Orianthi.
 
Apenas quatro dias depois eu já estava no aeroporto seguindo viagem, esperando pelo momento em que a ficha iria cair. Eram no total 16 horas de viagem que aproveitei para estudar o repertório, batucando as mãos nas pernas e os pés no chão do avião. Imagina a turbulência!
 
Cheguei aos Estados Unidos no domingo à noite, armado de um inglês precário, e tendo que me virar sozinho para me comunicar. Uma grande aventura que começou ao chegar no saguão do hotel, encontrando o baixista Yves Oek, outro escolhido da Orianthi, e seu amigo Yacko, ambos cidadãos de Luxemburgo, um pequeno e bonito país da Europa. Meu inglês já não se mostrou um problema, principalmente ao se tratar de dois assuntos universais: Música e cerveja.
 
Segunda-feira, Dia 1º, logo no café da manhã conheci os outros dois músicos selecionados: o Neil Swanson, guitarrista norte-americano, e o Alex Argento, tecladista italiano. Estávamos todos ali, os quatro músicos que a Orianthi escolhera para tocar com ela no Troubadour. Cada um de uma parte do mundo, de culturas e sotaques diferentes, mas igualmente ansiosos para conhecer o resultado dessa fusão. Logo depois, chegaram ao hotel três pessoas incríveis que foram, sem dúvida, muito importantes para tornar a nossa aventura muito especial: David Jacobson, Paul Boye e Ed Shiers, os dois últimos equipados com câmeras prontas para registrarem nossos passos.
 
Não demorou muito e nos levaram para passear na Hollywood Boulevard. Enquanto andávamos sobre a calçada da fama, Paul e Ed capturavam cada instante em suas câmeras, nos fazendo sentir como atores famosos. E ironicamente, começando a carreira em Hollywood. Nada mal!
 
Logo depois fomos conhecer a Weapons of Mass Entertaiment, escritório de Dave Stewart. Um lugar mágico onde as paredes têm muita história para contar. Não demorou muito e o Dave chegou para nos conhecer. Fiquei impressionado com sua simplicidade, o que nos deixou super à vontade, até que o Paul sacou sua câmera e disse que iria nos filmar respondendo algumas perguntas que o próprio Dave nos faria. Mas o meu inglês... Ok! Eu poderia responder em português que eles iriam legendar depois. Nesse instante aconteceu uma falha na Matrix, e eu comecei a falar em Português, só que pensando em inglês. Imagina a confusão? Eu não consegui falar direito minha própria língua. Enfim, deve ser o tipo de coisa que costuma acontecer com quem se vê na frente de Dave Stewart.
 
À tarde o trabalho teve início. Chegamos ao SIR Studios, onde conhecemos outros dois personagens importantes dessa história: Tobe Bean e Michael Bradford. Michael sim, parecia ter saído dos filmes de Hollywood. Com um jeitão de Big Boss e uma voz cinematográfica, era o cara ideal para ser nosso produtor musical. Um cavalheiro e, sem dúvida, um líder nato, pois teve o controle da situação em suas mãos de maneira super natural. Ensaiamos na segunda, terça e na quarta sem a presença de Orianthi. Michael conseguiu, em três dias, fazer com que quatro músicos que nunca haviam se visto, e sequer tocado juntos, soassem como banda. Foram três longos dias de muito trabalho e concentração absoluta.
 
As noites já não eram tão longas assim, mas muito divertidas. Nosso amigo David Jacobson não perdia a oportunidade de tornar nossa viagem ainda mais especial, apresentando-nos muitas coisas legais em Los Angeles e, inclusive, a melhor pizza que já comi na vida.
 
Eis que chega a quinta-feira e o último ensaio. Um dia importante para todos, pois iríamos conhecer a Orianthi e tocar com ela pela primeira vez. Para mim foi um dia mais que especial, foi o dia em que minhas preocupações e o peso da responsabilidade desapareceram. Bastou que a Orianthi tocasse apenas um acorde, para que eu a entendesse musicalmente. Senti uma afinidade musical difícil de explicar. E tudo ficou mais fácil.
 
Foi um dia de gratas surpresas. Uma delas foi quando a Orianthi contou-me que ao assistir meu primeiro vídeo, ela, Dave Stewart e Richie Sambora falaram: “That’s the guy!” Mas pera aí, Richie Sambora?? Diante da dificuldade com o inglês, nesse momento, eu quase comecei a falar em braille. E quando eu penso que as surpresas paravam ali, a Orianthi me conta que Sambora e Stewart iriam se apresentar conosco no show.

Foi aí que a ficha caiu: sim, dentre todos os bateristas que se inscreveram no concurso, cada um de uma parte do mundo, a Orianthi, o Dave Stewart e o Richie Sambora haviam me escolhido. E eu estava ali, no palco de um mega estúdio em Los Angeles fazendo algo que é muito mais incrível do que apenas tocar com alguém, nós estávamos conversando subjetivamente através da arte da Música. Nesse momento eu estava pronto para o dia seguinte: o show!

Sexta-feira começou cedo. Precisava ir com urgência a uma loja de música comprar baquetas. Durante os quatro dias de ensaio, eu já havia quebrado sete. Eu até tentei ensaiar com menos energia, mas não era possível tocar o Rock’n’Roll daquela guitarrista australiana sem me entregar em cada nota. Sobraram poucas baquetas para contar história.
 
Chegamos à tarde no Troubadour, montamos os equipamentos, passamos o som... Estava tudo pronto para o grande momento. Ficamos no camarim conversando por uns quarenta minutos com o Sambora, movimentando uma energia artística intensa. Fazer alongamentos, aquecimentos, anotações no repertório, concentração total e aquele friozinho na ponta da baqueta. Pronto. O trabalho havia terminado e a diversão começado!
 
Obrigado Orianthi, Dave Steward, Richie Sambora, Yves Oek, Neil Swanson, Alex Argento, Yacko Backo Tacko, Michael Bradford, Tobe Bean, David Jacobson, Paul Boyd, Ed Shiers, Allison Bond e toda equipe da Weapons of Mass Entertainment, à equipe da Talenthouse, em especial, Jimmy Roc, Naida Volkova e minha mais nova amiga Lisandra, por terem me proporcionado viver um dos momentos mais incríveis da minha vida.
 

Arthur Rezende
(19 de Fevereiro de 2014)

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