Levada de frevo

17 de setembro de 2012, por Duda Moura para o Site Batera
Marcha em tempo binário e andamento rapidíssimo que pôs o Brasil para pular, possuindo uma dança original, nascida do povo de Pernambuco. De origem urbana, surgiu nas ruas do Recife nos fins do século XIX e começo do século XX. Originou-se do repertório das bandas militares na segunda metade do século XIX, misturando-se aos ritmos do maxixe, da modinha, da polca, do tango, da quadrilha e do pastoril. Deduz-se que a música apoiou-se desde o início nas fanfarras constituídas por instrumentos de metal, pela velha tradição bandística do povo pernambucano.

Pode-se afirmar que o frevo é uma criação de compositores de música ligeira, feita para o carnaval. Os músicos pensaram em dar ao povo mais animação nos folguedos de carnaval, e a gente de pé no chão, queria música barulhenta e animada, que desse espaço para extravasar alegria dentro daquele improviso. No decorrer do tempo a música ganha características próprias acompanhada por um bailado inconfundível de passos soltos e acrobáticos (vindos da capoeira). Nas suas origens o frevo sofreu várias influências ao longo do tempo, produzindo assim variedades. A década de trinta serve de base para a divisão do frevo em: Frevo-de-Rua, Frevo-Canção, Frevo-de-Bloco.
 
O frevo-de-rua é exclusivamente instrumental, sem letra. É feito unicamente para se dançar. Este estilo tem as modalidades de frevo-abafo (predominância de instrumentos de metal), frevo-coqueiro (com notas agudas) e frevo-ventania (semicolcheias).

O frevo-canção ou marcha-canção possui uma parte introdutória instrumental e outra cantada, tendo como letra tema dos mais variados.
 
O frevo-de-bloco é executado por Orquestras de Pau e Corda, com violões, banjos e cavaquinhos. Suas letras e melodias, muitas vezes interpretadas por corais femininos, geralmente trazem um misto de saudade e evocação.

Na década de cinquenta, inspirados na energia do frevo pernambucano, a bordo de uma pequena fóbica, dedilhando um cepo de madeira eletrificado, os músicos Dodô & Osmar fincavam as bases do trio elétrico baiano que se tornaria conhecido em todo o país a partir de 1979, quando Caetano Veloso documentou o fenômeno em seu Atrás do Trio Elétrico. Diga-se de passagem, que o grupo 'Novos Baianos' do meu grande amigo Zé Roberto (baixinho/percussionista), foram os primeiros a cantar em um Trio, até então era somente música instrumental.

O gênero esfuziante sensibilizou mesmo a intimista bossa nova. De Tom Jobim e Vinicius de Moraes (Frevo) a Marcos e Paulo Sérgio Valle (Pelas Ruas do Recife) e Edu Lobo (No Cordão da Saideira) todos investiram no (com) passo acelerado que também contagiou Gilberto Gil a municiar de guitarras seu Frevo Rasgado em plena erupção tropicalista.

A baiana Gal Costa misturou frevo, dobrado e tintura funk (do arranjador Lincoln Olivetti) num de seus maiores sucessos, Festa do Interior (Moraes Moreira/ Abel Silva).

Frevos mais populares:
Vassourinhas (Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas) - Orquestra de Frevos do Recife
Atrás do Trio Elétrico (Caetano Veloso) - Caetano Veloso
Banho de Cheiro (Carlos Fernando) - Elba Ramalho
Festa do Interior (Moraes Moreira/ Abel Silva) - Gal Costa
Frevo Mulher (Zé Ramalho) - Amelinha
Me Segura Que Senão Eu Caio (J. Michilles) - Alceu Valença

Álbum (CD) recomendo: Pernambuco Falando Para o Mundo - Antonio Nóbrega

Exemplo de um frevo tradicional tocado no set de bateria:


 
- O surdo é opcional na levada
- As semicolcheias também podem ser tocadas no chimbal
- Aplicar notas-fantasma nas caixas não acentuadas
- As acentuações variam algumas vezes de acordo com o tema



Bom estudo e até a próxima!
 
Duda Moura

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