Graduanda em Música popular pela Unicamp, começou na bateria e percussão aos 10 anos de idade. Estudou percussão no conservatório de Tatuí e foi professora e percussionista da filarmônica da Escola Eleazar de Carvalho em Itu. Estudou na New York Jazz Workshop School of Music com Marc Mommaas, Tim Horner e Tony Moreno em Nova York em 2013, faz aulas de especialização em bateria com Edu Ribeiro por anos e fez workshops e teve aulas com bateristas como Jammey Haddad, Matt Wilson, Jeff Hamilton, Art Gore, John Von Ollen e outros. Ao longo dos anos tocou bateria em bandas de festa, de rock, mpb, jazz, percussão em grupos de samba, também atuou como diretora musical, percussionista e baterista de diversos espetáculos e montagens. Estudou no College Conservatory of Music na University of Cincinnati pelo programa Conexões Culturais entre Jazz e MPB da Capes/Fipse em 2014.

Modulação métrica em jazz - parte 2

06 de novembro de 2014, por Yara Oliveira
E aí, pessoal Tudo bem?

Estou de volta pra falar da segunda parte desse nosso primeiro bloco de modulação métrica no jazz.

Agora, vamos para o 5 e o 7 seguindo os mesmo passos do 3 e 6.

Caso você queria um pouco mais de explicação sobre os passos abaixo, ou sobre modulação, confira - ou releia - o artigo anterior, no qual trato da primeira parte deste assunto (batera.com.br/Artigos/modulacao-metrica-parte-1)

Vamos encaixar números ímpares de semínimas num espaço de 4, então afie bem os ouvidos nesta etapa!
Comecemos com o 5.

Passo 1: depois de sentir o beat em 4 com semínimas, vamos encaixando o 5 no 4. Aqui, é bem importante que você conte em voz alta. Conforme você praticar este passo você vai começar a entender naturalmente a relação que o 5 estabelece com o 4. Não há uma figura lógica que o metrônomo assuma, como acontece com o 6, mas há um padrão. Seu ouvido vai acabar descobrindo este padrão com a prática.

Passo 2: Depois de se sentir firme com as 5 semínimas, alterne  compassos entre o 4 e o 5. 4 compassos de cada.

Passo 3:  o desafio de colocar o chimbal no 2 e 4.  No 5, vamos pensar novamente que podemos entende-lo e assumi-lo como um 4/4. Dessa vez este 4/4 estará a 140 bpm. 

Pratique bastante somente o groove em 5 por um bom tempo e só depois alterne 4 compassos entre as métricas pensando tanto no 4 inicial (a 120) quanto no ?novo?4 (que é o 5 pensado em 4/4 a 140).

Passo 4: Colcheia swingada na condução. Tocamos os grooves em 4 e em 5, agora com a condução swingada e o chimbal, 4 compassos cada um, conforme vamos nos sentindo seguros. Aqui temos a sensação de que o beat está um pouquinho pra frente, como se estivéssemos acelerando um pouco. 

Pratique bastante  o 5 em cima do 4,  com chimbal no 2 e 4 e condução swingada, até ficar firme. 

 


Para o 7, temos exatamente os mesmo passos.

Passo 1: depois de sentir novamente o beat em 4 com semínimas, tocamos somente semínimas encaixando o 7 no 4. Novamente você terá que contar em voz alta. Conforme você praticar este passo você vai também entender naturalmente a relação que o 7 estabelece com o 4 por meio do metrônomo.

Passo 2: Depois de ficar firme com as 7 semínimas em cima do 4, alternamos 4 compassos entre o 4 e o 7. Repita bastante essa alternância.

Passo 3: Agora, colocamos o chimbal no 2 e 4. No 7, vamos pensar novamente que ele pode ? e vai -  assumir a função de um 4/4. Dessa vez nosso novo 4 estará em 200bpm. Entendendo isso, encaixamos novamente o chimbal no 2 e 4. Toque bastante esse 7 com o chimbal e, quando se sentir seguro, alterne 4 compassos entre as métricas. Lembrando que é muito bom que você consiga contar das diferentes formas (contar somente o 1 de cada compasso, contar os 4 tempos tomando como base o 120, e contar os 4 tempos tomando como base o 200)

Passo 4: Colocar a condução com colcheia swingada. Tocamos os grooves em 4 e em 7 com a condução swingada e o chimbal, um pouco cada um conforme vamos nos sentindo seguros, depois alternamos 4 compassos cada. No caso do 7, por ser o mais complicado, insisto bastante na contagem em voz alta pra nos dar segurança e precisão. Sugiro muitas repetições até o groove ficar seguro. Aqui, temos a sensação quase estar dobrando o beat, pois temos o 4/4 em 200 bpm em cima do 4/4 em 120 bpm.
 


 
Encerro aqui esta primeira abordagem de modulação métrica no jazz.

Meu intuito com estes exercícios é começar a preparar o ouvido e a mente para que comecemos a entender o que é e como se faz a modulação neste contexto, e entender também passo a passo as explicações mais técnicas disso.

Nos próximos artigos começarei a aplicar estes conceitos em situações mais musicais. 
Tudo que é praticado na bateria deve ser feito como se estivéssemos tocando pra valer, como se nossa sala de estudos fosse um palco.
Inclusive, sugiro que proponham de praticar estes exercícios com um baixista, guitarrista, pianista para começar a aplicar os conceitos e tentar fazer música dos exercícios. É uma prática excelente!
 
 

Espero que tenham gostado, e que tenham ótimos estudos!

Sucesso!

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