Bruno “Gafanhoto” Souza é incansável na busca por aperfeiçoar sua música. Depois de se graduar pela Universidade de Brasília em Música – Licenciatura, se mudou para os Estados Unidos em Agosto de 2011 para começar Mestrado em Drums Jazz Performance na University of Louisville, concluído em Maio de 2013 com apenas 24 anos de idade. Fez cursos com Jason Tiemann, Kendrick Scott, Edu Ribeiro, Rafael Barata, Kiko Freitas, entre outros, e já dividiu palco com Harry Pickens, Gene Perla, Miami Sax Quartet, Brandon Coleman Quartet, Luke McIntosh Sextet, entre outros, além de ser líder e diretor musical do octeto instrumental FUNQQUESTRA, que tem duas baterias juntas na formação.

O que realmente importa

03 de junho de 2013, por Bruno "Gafanhoto" Souza
Opa! Beleza, gente?

Em primeiro lugar, deixa eu me apresentar:
Meu nome é Bruno “Gafanhoto” Souza e sou baterista daqui de Brasília, no Distrito Federal. Na verdade, acabei de voltar de uma temporada de dois anos nos Estados Unidos, onde eu estava fazendo mestrado em Drums Jazz Performance, e estou tendo a honra de estrear essa coluna mensal aqui no batera.com.br falando um pouco não só sobre música, mas também sobre vida e, óbvio, bateria. (Na realidade, as três opções são quase a mesma coisa, mas isso é papo pra outra hora)

Então: Prazer! Espero que vocês gostem das coisas que vão rolar por aqui. Vai funcionar assim: Toda primeira semana do mês tem post novo! 

Você poderá saber mais sobre o meu trabalho na seção “Biografias” aqui no Batera mesmo. Mas, na verdade, a única coisa importante sobre minha vida nesse primeiro post é justamente a experiência que contei lá em cima, sobre o mestrado fora do país.

Em meados de abril ganhei uma bolsa pra ir para os Estados Unidos fazer mestrado em Jazz Performance, onde fiquei de 10 de Agosto de 2011 a Maio de 2013.

Fancy, huh? Estados Unidos, Jazz, bolsa…

É engraçado como as coisas mais legais da vida são aquelas que você não espera.
Pode apostar: pensa na coisa mais legal que aconteceu na sua vida. Ah, você já esperava? Se tivesse sido de surpresa, seria melhor…

Pois eu confesso. Esperava ganhar a bolsa (ou no mínimo tinha muita esperança). Esperava ir para os Estados Unidos, estudar uma das minhas grandes paixões, crescer no meu instrumento, voltar com um título de mestre aos 24 anos e construir minha vida fazendo minha música…

De novo: As coisas mais legais da vida são as que você não espera.

Estar lá me proporcionou algumas coisas que eu não tinha no Brasil. Tive possibilidade de ver vários dos meus heróis ao vivo – Keith Jarrett, Chris Potter, Bill Stewart, Wayne Shorter, Brian Blade, Mark Giuliana. Tive uma estrutura de ponta pra trabalhar. Mesmo sem luxo, tive certa estabilidade que me permitiu ter foco totalmente para o estudo.

Hm… Mas o que importa, realmente?

Não se engane, gente. O que é música pra você? O que é arte?

À força, em pouco tempo eu tive desconstruído quase todas minhas convicções. Eu entendi a linha tênue que é estudar os mestres do passado e mesmo assim deixar eles lá atrás, se movendo pra frente. Eu entendi que uma transcrição de Art Blakey te dá ferramentas para o que se tocar, e não fórmulas. Eu entendi que a vantagem de um mestrado aos 24 anos é business, o que também é importante, mas não é música.

O que é música pra vocês, gente? O que é arte?

Pensa nos seus ídolos: Miles Davis, AC/DC, Bela Bartok, Hermeto Pascoal, Zeca Pagodinho ou até a droga da Lady Gaga. Eles são quem são por serem “únicos”, porque se moveram pra frente – independente do seu julgamento se é bom ou ruim.

Qual o sentido em soar como os caras que estão mortos faz 5, 10, 20 anos? Qual o sentido em todas essas pseudo-fórmulas do que tocar, como tocar? Às vezes acho que se eles voltassem aqui iriam olhar pra gente e falar: “Que droga é essa? Por que vocês estão tocando a mesma coisa que toquei ha 50 anos?”. Qual o sentido em milhares de notas que impressionam, mas não dizem nada? Nenhum. É como um livro de capa bonita, que não diz absolutamente nada.
Qual o sentido em toda essa competição em ser melhor que alguém? Qual o sentido em se moldar pra algo que você não é?

Música, definitivamente, é alma, é mensagem. Isso cada um tem a sua. E possui os seguidores que se identificarem com isso.

Infelizmente, isso não se aprende nos programas de Universidade – em alguns bons professores sim, mas você tem que ter os ouvidos atentos a eles. Aliás, isso não se aprende em lugar algum. Isso se sente.

Eu termino esse primeiro post com a coisa mais valiosa que ouvi nos últimos tempos:

“Uma das melhores coisas que podia ter acontecido comigo foi conhecer Wayne Shorter. Porque eu sempre fui tão fã do Wayne Shorter, cara. Eu queria ser o Wayne Shorter do trompete, eu queria chorar como ele, tocar aqueles ritmos como ele. Mas assim que eu conheci Wayne eu percebi que isso nunca ia acontecer. Por que minha personalidade é totalmente diferente da dele. E aí eu percebi que o jeito que ele toca tem uma conexão direta com ele, como pessoa. Esse foi provavelmente um dos momentos mais aterrorizantes de toda a minha vida. Por que aí a pergunta virou: Quem sou eu?” – Terence Blanchard, no documentário Icons Among Us (procura na internet, é demais!).

Se você quer saber o que vai aparecer aqui todo mês: só o que realmente importa!

Até a próxima!

Bruno “Gafanhoto” Souza – www.brunogafanhoto.com

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