Split Grooves, com Jost Nickel - Parte 1

13 de outubro de 2015, por Site Batera
Este Workshop é sobre "Split-Grooves" (Grooves Divididos).

Neste artigo, eu quero apresentar um método de orquestração que eu chamo de "The Split". Orquestração é a aplicação de um mesmo padrão em diferentes partes da bateria. O objetivo é construir novas ideias a partir de padrões que já são familiares para você.

Ao invés de ficar em uma corrida louca por novos padrões, eu aplico variações dos meus grooves em diferentes peças, acentuações, etc., encontrando novas alternativas para minhas ideias rítmicas.

Para compreender o método "The Split" vamos começar com uma combinação bem familiar: O Paradiddle. (Provavelmente a mais famosa de todas). Na verdade, vamos utilizar uma inversão do paradiddle: *DEED EDDE ao invés de *DEDD EDEE.

*As figuras são do artigo original em inglês, onde R = D (Direita) e L = E (Esquerda).

A mão direita toca no chimbal e a esquerda na caixa. Obviamente, há uma infinidade de possibilidades a serem tocadas como bumbo. Não se preocupe com isso agora. Vou sugerir uma combinação simples para você.

Exemplo 1 (Groove com Paradiddle Invertido):


Eu gostaria de enfatizar a importância de usar a dinâmica toda vez que você toca seu instrumento! Então, seguem algumas dicas para fazer seu groove soar bem:

Na caixa:
1. Dinâmicas: Notas fantasma (as notas pequenas) são tocadas muito suavemente ? contrastando com os acentos que são fortes. A dinâmica é produzida observando-se a distância correta entre a ponta da baqueta e a pele. Nas notas fantasma, a distância deve ser de uns 2 cm acima da pele. Para os acentos a distância deve ser muito maior, geralmente com rimshots.

2. Técnica para as Notas Fantasma: Toque as notas fantasma com o pulso e não com os dedos. A técnica utilizada com os dedos requer um distanciamento maior (que 2 cm) entre baqueta e pele, o que dificulta a precisão na execução.

No chimbal:
Quando tenho duas notas em sequência no chimbal, toco a primeira com um volume bem menor do que a segunda. O exemplo 2 mostra isso, mas nos exemplos seguintes não colocarei mais o sinal de acento para tornar a partitura mais "limpa".

Quando toco esses grooves no prato de condução, passo os acentos para a cúpula e as notas não acentuadas desloco uns 3 cm para a esquerda. Faço isso com um movimento de pulso. Meu braço permanece na mesma posição.

Exemplo 2 (Groove com Paradiddle Invertido e acentos no chimbal):


E agora vem o método "The Split":

Os toques da mão direita estão divididos entre chimbal e prato de condução. Posicione sua mão direita entre esses dois instrumentos de maneira que você possa fazer um movimento suave com o pulso e não com o braço todo.

Exemplo 3 (Aplicação entre chimbal e prato de condução):


No próximo exemplo, a mão direita continua alternando entre chimbal e prato de condução, só que desta vez a primeira batida está no condução e a segunda no chimbal.

 
Exemplo 4 (Aplicação entre prato de condução e chimbal):


Nos próximos exemplos, o padrão da mão direita será dividido entre chimbal e surdo, começando com o chimbal.

Exemplo 5 (Aplicação entre chimbal e surdo):


A mesma ideia, começando com o surdo.

Exemplo 6 (Aplicação entre surdo e chimbal):


Agora que você percebeu como aplicar o paradiddle invertido entre dois instrumentos, vamos usar o mesmo conceito em um groove diferente (Exemplo 7).

Antes de aplicar o conceito, você deve ter o groove em questão bem dominado na sua forma original, de maneira que não precise pensar na combinação de mãos que o compõe. Assim você se concentra somente no "Split".

 
Exemplo 7:


Agora aplicando o "Split": Dividimos o padrão da mão direita entre chimbal e condução. O padrão propriamente dito e a combinação de mãos permanecem os mesmos. Somente a mão direita que alterna entre chimbal e condução.

 
Exemplo 8:


Acompanhe o vídeo com a explicação do Exemplo 7
 

*Baixe o artigo completo em PDF no topo da página.

Para conhecer novas ideias sobre grooves, veja o livro do autor, "Jost Nickel's Groove Book".


Contatos:


Sobre o Jost:

Jost Nickel é um dos grandes nomes da nova geração de bateristas alemães. Muito requisitado em gravações e turnês, como seus amigos e contemporâneos Benny Greb, Marco Minnemann e a recém emergente Anika Nilles (sua aluna), Jost está levando a bateria para novas direções. Ele estudou na Drummers Collective em Nova York e já trabalhou com músicos como Barry Finnerty, Randy Brecker, Jan Delay e Disko No.1 e Seeed. Jost é um tutor na Music Academy de Hamburgo e University of Popular Music and Music Business em Mannheim. Ganhou reconhecimento mundial como palestrante no PASIC e Montreal Drum Fest.

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