Tecnologia para bateristas - Parte 1

25 de setembro de 2008, por William Lopes

Olá amigos do Batera!

Podemos dizer que vivemos na era digital. Hoje muito se fala em myspace, youtube, podcasts, blogs, mp3 e afins, e para se produzir tudo isso se fala em home studios. Como uma solução para a bateria parecem as baterias eletrônicas, módulos e interfaces. É aí onde começam as nossas dúvidas sobre o que usar, como usar, qual é melhor, qual é pior e a questão que mais intriga os bateristas: acústico ou eletrônico?

E é por essas questões, que antes de entrar no assunto prático de utilização desses equipamentos, vou falar um pouco sobre história, pois acredito ser importante conhecer a origem da idéia e depois tirar nossas próprias conclusões.

Os 250 anos

Os instrumentos eletrônicos vêm evoluindo há séculos. O primeiro instrumento eletrônico que temos relato na história é o “Clavecin Électrique” de 1759, e desde então foram feitas várias pesquisas e descobertas relacionados à música, ou ao som propriamente dito.

A idéia desses músicos, compositores e cientistas, era a criar novos timbres, novos sons que não são encontrados na natureza. O marco histórico da idéia de criação de sons e em que no futuro os músicos utilizariam máquinas (equipamentos) para fazer música está no “Manifesto dos Músicos Futuristas” de Balilla Pratella em 1910 e no “Manifesto da Arte do Ruído” de Luigi Russolo em 1913.

Hoje temos computadores, sintetizadores, módulos, interfaces, pedais de efeitos, milhares de softwares entre outros equipamentos que simplesmente provam que eles estavam certos sobre o futuro da música.

Relacionado à bateria, os primeiros equipamentos foram as máquinas de ritmo. Temos o Rhythmicon (1930) como o primeiro instrumento capaz de sequenciar ritmos, no caso com sons melódicos e depois temos o Marimba Metron (1949) que sequenciava ritmos com sons de percussão. Nas décadas de 70 e 80 a música e a tecnologia evoluíram de uma forma grandiosa e então podemos citar alguns  equipamentos clássicos usados por grandes músicos com timbres que muitos gostam até hoje como a CR-78, a Tr-808 da Roland, e também a Hr-16 da Alesis. Na década de 80 também surgiram os primeiros pads ou drum triggers. Vale a pena lembrar da Syndrum CM, da Simmons com os clássicos pads hexagonais, outros fabricantes que se destacaram foram a Pearl, Roland, Drum Kat e Yamaha.

Na década de 90, os módulos evoluíram muito aumentando a capacidade de timbres e funções, destaque para a linha DT da Yamaha, as famosas D4 e Dm-5 da Alesis e as primeiras V-drums.

No Brasil tínhamos pads fabricados pela Fischer Drums, e posteriormente veio a Staff Drum e a Drum 7.
 
De 2002 até hoje, as coisas vem se direcionado para a utilização de softwares como geração de timbres, e uma busca por “realismo” comparado da bateria eletrônica com baterias acústicas, com pads com peles de nylon, pads de pratos com áreas de toque e simulação de corte do som quando se segura na borda, máquina de chimbal; além de resposta diferenciada para cada nível de intensidade do toque nos pads e por fim módulos com muitos recursos e ajustes.

Voltando às questões iniciais, baseando-se nos manifestos citados e de como os equipamentos vêm evoluindo, podemos dizer que hoje não só temos muitas possibilidades, mas também que já se tornou uma necessidade, ainda mais para o músico profissional, saber lidar com a tecnologia. Acredito que todos esses equipamentos e tecnologias não vieram para complicar e criar conflitos, e sim para poder criar novos rumos a criatividade do músico. A música é um universo infinito e a criação dela vem de dentro de nossa alma, os equipamentos são apenas ferramentas para a construção da arte, então não tenha preconceitos, não se limite. Acústico + Eletrônico = Criatividade.

Deixe sua música fluir e evoluir.

Abraço a todos, e Boratoca galera!!

Links:
Rhythmicon: http://en.wikipedia.org/wiki/Rhythmicon

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