Usando a Coordenação

05 de janeiro de 2012, por Aaron Gervais
Independentemente do estilo que você toca, há muitas coisas que pode fazer para tornar seu som melhor, e uma das principais é ter a coordenação necessária para executar (passar para o instrumento) o que você tiver em mente.

A coordenação neste nível é mais do que fazer as combinações de instrumentos, há muito trabalho mental a ser feito.

Há algumas coisas que você pode fazer para melhorar o modo como você soa musicalmente:

1. Escute os estilos de música que você quer dominar;
2. Preste, cuidadosamente, atenção aos detalhes da sua maneira de tocar;
3. Obtenha uma dinâmica e independência sobre todos os seus membros;
4. Grave a si mesmo, numa performance e quando pratica;
5. Pratique até que você toque as coisas de uma maneira consistente. 

   
Escute os estilos de música que você quer dominar

A regra geral é: você tem que dominar algo antes que possa mudá-la. É claro que isso seria o ideal e ninguém realmente “domina” algo, há sempre mais a ser feito. Mas você soará muito melhor se tiver consciência do que os outros fizeram antes de você. Realmente vale a pena você reservar um tempo para ouvir o estilo de música que está estudando, mas tenha certeza que você não está simplesmente se divertindo e sim prestando atenção no que está acontecendo na música.

Ouça como o baterista se coloca em relação aos outros instrumentos, o que ele fez que você particularmente achou efetivo, o que ele fez que você gostaria de ter a habilidade de fazer também, etc. Com certeza você fará uma lista enorme de anotações, mas a coisa mais importante é você realmente tentar entender a música. Você não vai sempre entender o que ouve, e vai gostar mais de certas coisas que outras, mas isso é uma parte normal do processo de desenvolvimento. Seus gostos mudarão com o tempo. Houve casos em que eu comprei um CD e deixei-o de lado porque não gostei nem um pouco dele, e alguns anos depois, eu os ouvi novamente e os adorei, justamente pelas partes que eu tinha odiado antes. Lembre-se que a música não tem que ser complexa para ser atraente, e geralmente o oposto é o correto.


Preste, cuidadosamente, atenção aos detalhes da sua maneira de tocar

Lembre-se, sua mente vai mudar o que você ouve para te agradar, mas você pode forçá-la a prestar mais atenção no que você está fazendo. Quando você pratica, tente ouvir cada parte individual do exercício. Preste atenção ao ‘equilíbrio’ entre estas partes.

Num contexto de Jazz, por exemplo, o prato de condução e o chimbal são os fatores dominantes e a caixa e o bumbo são o “colorido” do ritmo, assim como no Rock o chimbal e o prato de condução são o “colorido” e o bumbo e caixa são os instrumentos dominantes. Você pode ter um ritmo de Rock sem o chimbal marcando as colcheias, mas não pode tê-lo sem a caixa marcando forte os tempos 2 e 4. Preste atenção para ver se os membros que tocam juntos estão tocando exatamente juntos. Todas essas coisas vão ajudar você a se ouvir melhor, compreender a relação e a função de cada parte do seu corpo com a música, e tornar seu som mais apurado.


Obtenha uma dinâmica e independência sobre todos os seus membros

Como foi mencionado anteriormente, o feeling que cada estilo requer é diferente. Ouça uma Big Band. O que você percebe que o baterista toca predominantemente? É o prato de condução. Agora ouça uma banda de Rock. O que predomina é a caixa e o bumbo. Mas ouça uma banda de música brasileira. Você perceberá que dependendo do ritmo, há um instrumento, ou um grupo de instrumentos, que se destaca. Isso, porque os ritmos brasileiros são feitos originalmente para instrumentos de percussão. Assim, cada seção da música exige a evidência de um instrumento diferente. Se você tiver controle sobre a sensibilidade de cada membro, poderá se “encaixar” melhor em cada situação.

Isto é útil especialmente em estúdio, onde você é requisitado a tocar a caixa um pouco mais alta, ou o bumbo um pouco mais baixo sem alterar os outros instrumentos. O que você precisa fazer para adquirir essa independência de dinâmica é desenvolver uma boa coordenação e praticar bastante.


Grave a si mesmo, numa performance e quando pratica

Este é outro método de examinar e aprimorar o que estamos tocando. A gravação não mente! Assim, você poderá se analisar em todos os aspectos. Ainda lembro da primeira vez em que eu gravei a mim mesmo. Eu disse: “Realmente fui eu que gravei isso? Não pode ser, deve ser a qualidade da gravação!”. Não tente se enganar! Você não se grava para obter uma ótima qualidade de som, mas para verificar seu andamento, se você está executando todas as notas na mesma dinâmica, se você está “tirando” sempre o mesmo som da caixa, pratos e tambores, etc. Se você conseguir um bom resultado com uma gravação caseira, logicamente você terá um bom resultado numa situação real de estúdio ou num show ao vivo.

Lembre-se de fazer as seguintes perguntas a você mesmo: “Estou atrasando ou correndo o andamento?" Todas as notas estão iguais? Está soando como música ou como um monte de timbres aleatórios? Em quais aspectos posso melhorar? E assim por diante.


Pratique até que você toque as coisas de uma maneira consistente

Você deve ter passado pela seguinte situação: você aprende algo difícil, ai sai aplicando o que aprendeu só para mostrar para as pessoas que você tem um assunto (lick ou ritmo) novo, e acaba fazendo algo totalmente fora do contexto musical e até mesmo atrapalhando os outros músicos da banda. A lição que tiramos disso é que, simplesmente saber fazer algo não é o bastante. Para ter a habilidade de fazer algo bem feito, você tem que ter a proficiência sobre o que está fazendo.

Você deve ter a habilidade de fazer algo até mesmo quando estiver dormindo, e fazer bem. A maneira de conseguir isso é seguindo estes conselhos: grave a si mesmo, ouça a si mesmo, critique e avalie a si mesmo, desenvolva um senso de andamento e assim por diante.

Tocando um ritmo básico de Rock, por exemplo, você deverá ouvir o chimbal e verificar se não está muito alto, se está soando sempre igual, se não está variando o andamento, se está num bom volume em relação à caixa e o bumbo. Então aplique estes mesmos conceitos para todos os membros. Sempre trabalhe para a perfeição. A ironia nisso tudo está, que quanto melhor você fica, mais você perceberá seus erros e haverá sempre algo em que você poderá melhorar. As coisas mais importantes para se concentrar são na sonoridade, na exata colocação das notas, no andamento e no groove.

Veja também: Artigos recentes | Pesquisar artigos | Autores | Todos os artigos