Bate-papo Batera com Melk Souza de Belém do Pará

27 de fevereiro de 2015, por Rafael Ferraz
Responsável por representar o Pará em novembro de 2014 no 3º Day Drums Festival -- etapa no norte do Brasil, em Belém (PA) -- o baterista e professor de bateria Melk Souza é o novo convidado para o bate-papo do site Batera.
 
Agora como produtor do festival na região norte, no casting de músicos de um dos mais amplos encontros de bateria do país, com Aquiles Priester, Eloy Casagrande, Daniel Oliveira e Ítalo Bruno, Melk conversa sobre Estudos X Prática, e fala um pouco sobre sua carreira.
  
Belenense batizado como Melquizedeque da Silva Conceição, hoje com o nome artístico de Melk Souza, o jovem baterista nasceu em 21 de fevereiro de 1992. Com fortes influências da música black, ele domina brasileiros como, baião, samba e, claro, o autêntico carimbó do norte. Começou a estudar música ainda na infância, aos 8 anos e, uma década depois, já maior de idade, formou-se pela Fundação Carlos Gomes (FCG) no Curso Técnico de Percussão (bateria).
 
Aquiles Priester, Melk Souza, Ítalo Brunno e Eloy Casagrande | Foto: Divulgação 
 
Músico profissional que atua como baterista em eventos, festivais e programas de televisão ao lado de artistas e bandas, Melk passou a dar aulas em 2010 pelo Projeto Federal 'Mais Educação', como professor de percussão na escola Prof. Cândido Ferreira. Também trabalhou no Projeto Social 'Música para Todos' pela Contecnica, com aulas de percussão e escola Sonnora. 
 
 
 
Atualmente Melk é professor do Curso de Bateria da Escola de Adoradores que, dentro da proposta de ensino musical voltado ao meio Gospel é uma das maiores escolas de música do norte brasileiro, liderando o ranking com o maior número de matrículas por semestre: cerca de 800 alunos. Apaixonado pela bateria, ele sabe que, tão importante quanto estudar e praticar, é vivenciar experiências como os encontros e festivais de bateria para crescer na carreira e ganhar segurança.

Acompanhe o bate-papo Batera:
 

Fale um pouco da sua pegada na bateria, os principais gêneros e estilos que você domina ou prefere tocar.

Eu tenho uma pegada um pouco pesada, porém com definição do som que tiro da bateria. Isso está relacionado ao meu estilo de tocar, gosto do 'groove chão' (risos).. pega forte.. Como educador dos tambores preciso dominar todos os estilos e gêneros, mas sim..  é claro que tenho preferência por alguns como, por exemplo, os gêneros brasileiros como baião, samba, nosso carimbó aqui do norte, mas também gosto de black music, da música preta.. o groove pegada. (risos).

O que este tipo de vivência (tocar em encontros e festivais de bateria) traz de informações importantes para um jovem baterista como você, seja no pessoal como instrumentista, como professor e realizador de oficinas e workshops?

Bom, às vezes na prática aprendemos bem mais do que na teoria. Comecei meus estudos na música bem cedo, porém, quando comecei a vivenciar esses tipos de experiências com os palcos... tocar em grandes shows.. isso me trouxe bastante amadurecimento como músico. Aprendi que, o famoso feijão com arroz na bateria, às vezes era o 'mais'... mas que também existia os momentos certos para realmente mostrar as técnicas e todo o virtuosismo como baterista. Isso foi como um estágio pra mim, no início da minha carreira, que me fez chegar ate aqui, hoje tendo a honra de tocar em um mesmo palco que Eloy Casagrande e Ítalo Bruno. Mas isso ainda não é o bastante pra mim, ainda tenho muita estrada pela frente...

Apesar da musicalidade, nosso país oferece pouco acesso ao aprendizado musical e vende instrumentos a preços que não condizem com a realidade de muitos brasileiros. Como educador, do que um iniciante precisa para seguir na música e não desistir de sonhar? 

Em um país como o nosso não temos, infelizmente, esse lado na educação musical. Por exemplo, nos EUA as crianças de 7 anos já estudam musica nas escolas e com uns 14 anos eles estão tocando jazz perfeitamente. Aqui no Brasil nossa realidade é diferente, mas quando temos um sonho, temos que fazer por onde. Precisamos de muito esforço, determinação, foco e uma prática constante daquilo que queremos.

O que te incentiva a seguir e crescer, cada vez mais, como baterista?

A paixão que tenho pela música como baterista, isso sempre fez parte de mim e eu sempre tive o amor pelos tambores. Desde criança, eu sempre sonhei em ser um grande baterista e, hoje posso dizer que isso se realizou, porém o sonho não para, cresce sempre e sempre.. com a graça de Deus sempre.

Como foi representar sua cidade e seu estado no Day Drums, considerado o maior festival nacional de bateristas?

Bom, pra mim foi algo lendário, e um sonho realizado de muitos outros sonhos que tenho como baterista. Poder fazer parte e representar minha classe em um evento de grande porte como o Day Drums.

O que o festival significa para um músico local revelado como novo talento, mesmo com esses anos como baterista e professor?

Ser reconhecido como novo talento da bateria no meu estado é realmente algo muito bom e, o Day Drums faz parte dessa minha aparição na cena, não somente do meu estado como no Brasil. O festival significa pra mim ?o início de algo muito bom? eu diria assim... Agradeço ao meu amigo e padrinho Ítalo Brunno pela força e incentivo sempre..

Como foi abrir o workshop desses outros dois bateras -- o Ítalo Brunno e o Eloy Casagrande do Sepultura? O que você apresentou?

Bom... foi algo de extrema responsabilidade diante desses dois grandes bateras, Ítalo e Eloy, mas representei bem e fui super bem elogiado tanto pelo Ítalo quando pelo Eloy.. e receber elogios desse dois é realmente algo que me deixou sem palavras.. me senti muito honrado. Quanto ao que apresentei, eu toquei temas de grupos de jazz que sou fã.

Planos e projetos para o futuro?

Fazer com que a cena na minha cidade seja bem forte em relação a bateria, fazendo com que daqui de Belém do Pará grandes bateristas apareçam através de festivais e eventos baterísticos. E também ter uma carreira nacional rodando o Brasil com festivais e, quem sabe internacional, se Deus quiser... meu futuro a Deus pertence... e também lançar discos e vídeos de bateria.
 
 
 Assista ao Drum Cover de Melk Souza - Set It Off, P.O.D:

 
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