Baterista Nina Pará: Na Batida do Coração

02 de abril de 2015, por Rafael Ferraz
Baterista e educadora, Nina Pará está a frente do novo projeto Drummer's Meeting -- o 1º congresso online de bateria do Brasil -- com alguns dos melhores bateristas brasileiros da atualidade. "Eu e mais 26 bateras vamos compartilhar muita coisa legal com vocês! Se inscrevam, é gratuito!", convida a batera nas redes sociais.
 
Nascida em 1979 na cidade de São Paulo, Nina é baterista desde os 18 anos de idade. No começo, fez aulas com os bateristas Jorge Aniello, Ronald Turnbull e mais tarde com Douglas Las Casas e Aquiles Priester. Depois de estudar com Christiano Rocha, atualmente tem aulas com o baterista mundialmente reconhecido, Dom Famularo.
 
Tocou em algumas bandas de metal, com destaque para o Illustria, que lançou o EP Demons of War (2009), e no Kavla, grupo em que gravou o segundo CD, Surreal, lançado pela Encore Records em setembro de 2008. Já no Lacme de 2006 a 2010, lançou 3 trabalhos, o Reverse e o Reverse Naked (2008), e em 2009, o EP de Mantras e Repetições de Rock.
 
 
Nina viajou o país como baterista freelancer do cantor e compositor Landau, de julho de 2009 a junho de 2011. Além disso, abriu duas edições do Girls on Drums, tocou no Encontro de Bateras no Pearl Day (SP) e participou duas vezes do Projeto Alma de Batera, que ensina bateria para pessoas com deficiência intelectual.
 
Autora de artigos no site Batera, colunista da Revista Modern Drummer Brasil desde 2013, ela também realiza workshops de bateria em São Paulo (SP) e outros estados. Especializada em estilos como, Hard Rock, Progressivo e Metal, além do Pop e Blues, a música brasileira também faz parte da vida de Naná, que hoje é professora particular de bateria. 
 
 
Atualmente no trio instrumental Crats, Nina também entrou no time do Ronaldo e os Impedidos, banda de rock nacional e autoral do ex-goleiro de futebol do Sport Club Corinthians Paulista, o cantor Ronaldo Giovanelli. Toca na Kriptonita, músicas cover dos anos 60, 70, 80 etc., formada apenas por mulheres, e acaba entrar na banda Suck My Magic, tributo do Red Hot Chili Peppers com quem estreia amanhã, sexta (3), em São Paulo.

Nesta entrevista, ela compartilha um pouco da sua história na música, iniciada como guitarrista quando tinha 15 anos, até se converter aos tambores depois de assistir ao show do Mike Stern Trio, com Dennis Chambers na bateria. Hoje trabalhando a todo vapor na divulgação do Drummer's Meeting, a baterista Nina Pará ainda revela como tem sido a receptividade do seu primeiro disco solo, HeartBeat, lançado em janeiro de 2015.
 

Confira o bate-papo Batera:

Como nasceu a ideia do Drummer's Meeting? 

A equipe fundadora/organizadora do Drummers’ Meeting é formada por mim, Vinicius Pacheco e João Carlos Dias de Freitas. Somos sócios nesse projeto. Nós começamos a arquitetar todo o projeto em abril de 2014. Somente em novembro nós começamos a enviar convites para outros bateristas participarem.

Foi difícil reunir essa galera?

Fácil não foi (risos). Nós fizemos um vídeo-convite explicando o projeto e mandamos para os bateras, a fim de convidá-los para participar do evento. Ficamos muito felizes com a receptividade e aceitação do convite por 27 profissionais.

Como você escolheu os bateristas? E os temas, foram baseados nas habilidades de cada um?

Convidamos muitos bateras, todos com mais de 10 anos de carreira já, e que dão ou já deram aulas. Deixamos os temas das aulas para eles mesmos escolherem. Claro que tomamos cuidado para não repetirmos temas.

Quem pode se inscrever, e até quando?

Qualquer pessoa pode se inscrever, usando apenas nome e email. Não existe um cadastro enorme a ser preenchido. A inscrição é gratuita e pode ser feita até os primeiros dias de maio, antes da semana das transmissões (dia 4 a 10 de maio), assim o inscrito receberá o link por e-mail para assistir as aulas.

Qual é o retorno aguardado por você e a equipe organizadora?

Primeiramente esperamos um retorno no meio baterístico, divulgando mais nosso instrumento, nossa arte. A ideia é que mais pessoas conheçam mais bateristas e mais estilos. Conhecimento nunca é demais! As aulas vão de técnica de vassourinhas a pedal duplo. Uma pessoa com a mente aberta poderá aprender muito. 
 
 
Além do encontro, você também está trabalhando seu 1º disco solo. Como tem sido a receptividade? 

Estou muito feliz com a receptividade do meu disco. 
Em 2013 eu decidi gravar meu primeiro disco solo. A partir daí, reuni idéias de músicas que já tinha e passei a desenvolver tanto a parte musical do disco, as composições, quanto a concepção do álbum todo e as inspirações das músicas. A principal meta era fazer um disco com canções e melodias marcantes, ainda que instrumental. HeartBeat é um disco influenciado e baseado nas emoções, como amor, raiva, alegria, liberdade, medo, etc.
Eu convidei o guitarrista e amigo Lucas Bittencourt para produzir 6 das 7 músicas do disco. A outra faixa foi produzida pela minha irmã e guitarrista Tatiana Pará (música People From The Sea).

Como as músicas e o disco foram ganhando corpo?

O processo de composição abusou da tecnologia. Eu enviava minhas idéias pela internet para os guitarristas, eles ouviam e gravavam suas partes e modificações nas músicas. Os arquivos eram trocados quase que diariamente e foi assim que as músicas e os arranjos nasceram.
Vendo as músicas ficarem prontas na pré-produção, eu ainda tinha dúvidas em relação a como viabilizar esse projeto financeiramente, como custear a gravação do disco, mixagem, masterização, o cachê dos músicos que gravaram, o cachê dos produtores, a arte do disco, as fotos e a própria prensagem.
Foi em meados de junho de 2014 que resolvi iniciar um crowdfunding no site Kickante para levantar recursos para gravar meu disco. A resposta do público foi excelente e emocionante, tiveram muitos apoiadores e eu conseguiu a meta necessária para produzir seu trabalho.
A captação dos instrumentos começou em agosto de 2014. Foram 3 meses de captação, um mês de mixagem e masterização. Tudo feito pelo engenheiro de som Rogério Oliveira, ora no estúdio Black Dogs, ora no Flight Estúdio.
O disco conta com a participação de excelentes músicos que puderam abusar da sua criatividade no disco. Todos ficaram bem à vontade para imprimir suas ideias nas músicas. Os guitarristas Lucas Bittencourt, Tatiana Pará e Francisco Junior. Os baixistas Geraldo Vieira e Fernanda Horvath. O tecladista Bozzo Barretti. Sintia Piccin e Richard Fermino nos sopros.
As músicas de HeartBeat são todas instrumentais e combinam muitos estilos que influenciaram, como rock progressivo, heavy metal, rock, pop, new age, etc.
 
Esse projeto solo, é algo que você já esperava e tinha vontade de fazer?

Sim, eu sempre tive vontade de gravar um disco meu, mas ainda não tinha tido a oportunidade de realizar esse sonho.
 
 Nina Pará - Alma de Batera | Foto: Ilana Bar/Divulgação

 
Quando um baterista pensa em lançar carreira solo, independente de banda, como líder, quais são as principais dificuldades encontradas?

A primeira dificuldade é fazer tudo sozinho. Existe o lado ruim e o lado bom disso. O lado bom é que você pode decidir sozinho sobre as suas músicas, ou, melhor ainda, com um produtor (que foi o meu caso). Não existem aquelas brigas ou discussões que geralmente acontecem quando uma banda grava um disco. O lado ruim é que você também não tem ninguém para dividir as tarefas, e tem que correr atrás de tudo, desde a capa, os arranjos, as músicas, o cronograma, os músicos que vão gravar seu disco, etc. 
Existe também a dificuldade financeira, porque custear um projeto sozinho sempre é mais difícil do que quando se divide esse custo entre 4 ou 5 pessoas.

Quais dicas você daria ao batera que está começando uma carreira solo, depois de acompanhar outros artistas, cantores e bandas?

A minha dica é para não se rotular. Seja um baterista! Seja um músico! Se for chamado para fazer um trabalho como freelancer e a contrapartida for boa, vá! Se for chamado para entrar numa banda e curtir o som, entre! Se for chamado para expor seu trabalho solo, vá também! Se for chamado para gravar o disco de outro artista, vá! Não se restrinja a um mercado apenas. A vida de músico já é muito complicada e difícil. Matamos vários leões por semana e por mês (risos). Por que complicarmos mais nossa vida nos restringindo dentro do nosso próprio mercado?
 
Expectativas de segundo disco solo?

Eu ainda estou preparando o show de lançamento do HeartBeat junto com o guitarrista e produtor do disco, Lucas Bittencourt, e o baixista Fabio Sena. Quero agendar uma turnê de workshops pelo Brasil, divulgando o disco. Após feito isso, pensarei no próximo disco, nas próximas músicas.

E quanto ao Drummer's Meeting, virão outros encontros?

A ideia é realizarmos um evento desse por ano.

 
Nina Pará Site | Facebook | YouTube | Instagram 
 
 
Drummer's Meeting Site | Facebook 


Comentários

Veja também: Todas as entrevistas