Baterista Sallaberry fala sobre novo disco, produção e a música nos EUA

06 de janeiro de 2015, por Rafael Ferraz
Sem fronteiras, o baterista Sallaberry que lança seu novo álbum solo "Move Out", revela em entrevista exclusiva no site Batera, como é viver da música nos Estados Unidos onde reside atualmente. Depois de onze meses de produção, ele lança no dia 12 de janeiro, o sexto disco da carreira solo com 11 faixas autorais. Com lançamento simultâneo nos EUA e no Brasil, o disco estará disponível para download no iTunes e Amazon, e fisicamente no final do mês.

Baterista, compositor e produtor Sallaberry contou com a participação de grandes parceiros musicais em um repertório variado de samba, baião, fusion, blues e bossa. Todos seus trabalhos são distribuídos nacional e internacionalmente pela Tratore, inclusive a distribuição digital - iTunes, Amazon e HMP. Com pós-produção realizada nos Estados Unidos, o título do álbum é explicado por Sallaberry da seguinte maneira, em entrevista ao site Batera

"Como o título sugere, não significa apenas minha mudança do Brasil, mas também um novo direcionamento artístico, em busca de novas parcerias e também sonoridades, como a que procuro em meu novo estúdio Big Orange". A mixagem de Move Out é de Rodrigo Loli, do Tonelada Estúdio, e a masterização de Cassio Centurion, do Master DX Studio, pela gravadora Tum Tum Home Music.

Nascido em São Paulo, Sallaberry vive com a família em Orlando (EUA). Baterista, compositor e produtor musical, iniciou a carreira como batera aos 17 anos, com bandas paulistas de diferentes estilos. Bacharel em Publicidade & Propaganda, foi publisher da primeira publicação latino-americana especializada em bateria e percussão (ECO, 1988), e colaborou com revistas segmentadas.

No ano 2000 passou a trabalhar com produção musical e a dedicar-se a sua carreira solo, gravando e produzindo em seu próprio estúdio (Tum Tum Home Music). Em carreira solo lançou Sambasong & Friends (2004), Samba Soft (2007) e Sambatuque (2009), New Bossa (2011), Rhythmist (2013) e Move Out (2015), todos concorrendo ao Grammy Latino. Também lançou a coletânea Sometimes Samba e o DVD New Bossa Making Of.

Brasileiro renomado, Sallaberry já gravou com gigantes como Billy Cobham, Dennis Chambers, Airto Moreira, Robertinho Silva, Andreas Kisser, Derico Sciotti, Marcos Romera, Sandro Haick, Ed Côrtes, Daniel D'Alcântara, Álvaro Gonçalves, Fernando Moura, Thiago Pinheiro, Thiago do Espírito Santo, Tarcísio Edson César, Beto Di Franco, Marcelo Cotarelli, Pepe Rodriguez, Edu Martins, Maurício Marques, Flávio Sandoval, Chico Willcox, Ivan Paduart, Paulinho Duro, Rubinho Chacal, Marcinho Eiras, Itamar Collaço, CoopDeVille, Luis Cubano, Álvaro Gonçalves, Bruno Cardozo, Faíska, Renato Nunes, Claudio Celso, Luciano Magno, Fábio Valois, Fernando Moura, Jorge Pescara, Claudio Infante, Luciano Mazzeo, Esdras Gallo, Júlio "Chumbinho" Herrlein, Cássio Ferreira, Fábio Leão, Ricardo Ramos, J. Batista, Rodrigo Vásquez, Wanderson Bersani, Flávio Medeiros, Fúlvio de Oliveira, Adriano Paternostro, Edmilson Chiquinho e Hugo Ksenhuk, dentre outros.

Responsável por desenvolver o recurso de produção musical conhecido por E-rec, que utiliza a web para gravação com músicos radicados em diferentes países, Sallaberry é autor do livro 'Manual Prático de Produção Musical', publicado pela editora Música & Tecnologia, lançado no ano de 2009 - material didático usado em cursos e universidade de Produção Musical. 

Acompanhe o bate-papo, as dicas e conselhos do músico Sallaberry:


Por que Estados Unidos?

Mudei para os Estados Unidos com minha família há seis meses por uma série de motivos, principalmente pelas facilidades que o país oferece, bem como pela segurança. Profissionalmente é o país certo para músicos viverem, porque a indústria da música está aqui, bem como todo o mercado musical de forma geral.

Quais são as principais diferenças entre o Brasil e EUA, quanto as facilidades e dificuldades que encontrou para viver da música por lá?

Como disse, a indústria da música está nos Estados Unidos, e seja para trabalhar como músico ou mesmo para prestar serviços para as empresas da indústria, este é o pais certo. A título de exemplo, os custos para a produção e fabricação de CD's são incomparáveis aos oferecidos no Brasil. Como estou lançando meu novo trabalho Move Out, muitas rádios que mantenho contato já aguardam o CD para tocar, porque muitas delas se interessam pela música feita no Brasil, por nossos ritmos. Isso não acontece no Brasil.
Espero ter meu estúdio pronto nos próximos dias, e então as possibilidades certamente serão maiores. Paralelamente ao meu trabalho autoral, tenho outros projeto ligados a indústria musical. Aqui nos Estados Unidos é muito comum os músicos se envolverem com as empresas para cooperarem no processo de desenvolvimento de produtos. Billy Cobham, Dave Weckl, Vinnie Colaiuta, são alguns poucos que em parceria com empresas desenvolveram modelos de baterias, muffles abafadores ou séries inteiras de pratos. A indústria precisa do artista, incontestavelmente.

O que acha que deveria ser feito para melhorar por aqui?

O problema no Brasil não é apenas na área musical, mas na cultura como um todo. Cultura é educação, e a educação musical, por exemplo, por mais que venha sendo trabalhado esse projeto, ainda não acontece nas escolas. Não existe qualquer espécie de incentivo para que as crianças estudem música ou simplesmente toquem um instrumento. Existem algumas iniciativas, mas são isoladas. 
Aqui nos Estados Unidos minha filha participa de coral, estuda música e realiza apresentações. Nas igrejas existem os corais. A música aqui está na vida das pessoas, e como resultado existe uma indústria poderosa para alavancar esse mercado.
No Brasil existe uma indústria isolada da cultura, ou seja, existem as fábricas de instrumentos, mas não existe a preocupação de incentivar as pessoas, adultos ou crianças, a tocarem um instrumento. Portanto, a própria indústria deixa de crescer, por não haver um mercado interno consumidor.   

Como foi a produção musical deste novo CD?

Produzo meus CD's normalmente entre dez e doze meses. Depois de definir as linhas rítmicas, ou seja, gravar as baterias, convido os músicos para cada uma das composições. Dessa forma estruturamos a composição, os arranjos, e então convido os demais músicos para finalizar cada um dos temas. Normalmente, cada faixa traz uma formação diferente de músicos e, ao meu ver, é isso que deixa o trabalho amplo, diversificado, sem perder uma identidade musical.

Com a experiência de lançar o sexto disco da sua carreira solo, que dicas e conselhos você daria aos bateras daqui?

Estudar todo o restante exceto a bateria, ou seja, não basta ser um instrumentista para fazer música. É preciso ir além do seu instrumento e ser músico, pensar musicalmente, e não apenas no som ou em sua performance como baterista. Aliado a essa busca, é importante conhecer recursos de áudio, de produção musical, softwares, e então expandir suas idéias, gravando, produzindo, mixando, enfim, fazendo música. A partir do momento que as gravadoras deixaram de existir, é indispensável que o artista produza sua própria obra. 

Você acha que, por estar fora, pode ter uma visão que escape aos olhos do baterista que ainda está começando aqui no país?

Não necessariamente. No Brasil existem excelentes músicos, escolas e profissionais sérios envolvidos com música. Acho apenas que, no exterior, seja aqui nos Estados Unidos ou na Europa, as possibilidades são maiores, simplesmente porque o mercado é maior, muito maior que no Brasil.

Como são suas principais atividades como músico atualmente?

Realizar meus trabalhos, seja compondo, estudando, gravando e pesquisando sobre os recursos de áudio. Vivendo aqui, pretendo finalizar o meu home estúdio para ampliar as possibilidades. Paralelamente pretendo tocar mais com músicos locais e me envolver mais com a indústria. 

Alguma esperança de se apresentar no Brasil?

Ainda não, mas quem sabe para 2016 sim. De alguns anos para cá, os festivais de jazz e música instrumental passaram a ser realizados com mais frequência, em diferentes cidades, e inclusive naquelas que nunca haviam promovido este tipo de evento. Para que eu possa me apresentar, primeiro é preciso ter um projeto definido, e então envolver os músicos para me apresentar. Espero poder dar andamento a esse processo no ano que inicia agora.

www.reverbnation.com/sallaberry

Galeria de imagens

Comentários

Veja também: Todas as entrevistas