Conheça "Quinze Passos" do baterista Gabriel Lisboa

23 de setembro de 2015, por Rafael Ferraz
Nascido em janeiro de 1987, em Nova Lima (MG), o baterista e pianista Gabriel Lisboa apresenta ao site Batera "Quinze Passos" - disco independente de música instrumental lançado em junho de 2015.
 
Neste bate-papo sobre sua carreira, ele também fala como compositor e arranjador de todos os sete temas deste que é seu primeiro CD em carreira solo.  Com influências do Jazz Contemporâneo, o show de divulgação do disco será no dia 7 de novembro, no Bella Vista Espaço de Eventos, em Nova Lima.
 
Enquanto isso, licenciando em Educação musical pela UEMG, Lisboa segue como professor de bateria na Dinilson's Escola de Música (Nova Lima) e da Allegretto Educação Musical (Belo Horizonte). 
 
Hoje trabalhando em gravações e shows como freelance, além de integrar ainda as bandas Crivo, Land’s e Fusão Música Instrumental, seus primeiros passos foram dados em 1998, quando iniciou seus estudos de bateria na mesma Escola de Música onde agora ensina o que aprendeu, tendo como professor o baterista mineiro Roberto Veintheimmer, concluindo o curso em 2003. 

 

Durante seus estudos formou bandas com alunos da mesma escola de música, tocando em pequenos eventos e festas. Em 2001, formou a banda Froid - a primeira profissional com a qual fez seus primeiros shows em bares e casas noturnas. Em 2003, uniu-se a banda Unleash Hell (BH), de grande importância para sua carreira. Já em 2005, voltou a estudar na Pro Music Escola de Música (BH) com grandes nomes da música nacional e internacional como Bo Hilbert, Antônio Loureiro e Jean Dolabella.  
 
Em 2007, com as bandas Cachorro Cego Blues e Afins e Trio Minério de Ferro (Instrumental), foi classificado para o Festival Nova Lima Talento e Arte. Depois, com a banda Râmas (antiga Beira Kaos) ganhou a 2ª Edição do Prêmio Mineiro Da Música Independente - Categoria Regional. No ano seguinte, ainda na Râmas, gravou o Hino da Torcida do time de futebol mineiro Villa Nova A.C., em comemoração ao centenário do clube.
 
 
Gabriel também chegou na eliminatória do concurso A Banda, do programa Graffite (TV Alterosa), amplamente divulgado em Minas Gerais, e ganhou novamente, pelo segundo ano consecutivo, o Prêmio Mineiro da Música Independente 3ª Edição - Categoria Regional, também com a banda Râmas. Participou do Concurso BDMG Jovem Instrumentista 2008 e 2010.  
 
Em 2010 gravou o primeiro DVD da Beira Kaos, e em 2011 com a mesma banda gravou o clipe da música 'Meu mundo em seu endereço' e em 2012 o clipe da música 'Tudo pode mudar'. Com Beira Kaos, Cachorro Cego Blues & Afins e Fusão Música Instrumental tocou em 2012 ao lado de nomes como Bob Wilber, Leroy Jones, Gunhild Carling, entre outros.
 
Em junho de 2014 foi um dos finalistas do concurso Novos Talentos do Jazz no Savassi Festival, um dos maiores eventos de música instrumental do país. Neste mesmo ano, como integrante da banda Crivo, lançou o primeiro disco autoral da grupo e um DVD gravado ao vivo. Em 17 anos de carreira, acompanhou e gravou com instrumentistas e bandas independentes na cidade de Nova Lima e Belo Horizonte, destacando:  
 
- Echoes Pink Floyd Cover  
- Unleash Hell  
- Lislie Fiorini  
- Crivo 
- Fred Chamone  
- Tarjados  
- Rodrigo Tavares  
- Filipe Marks  
- Elton Raville  
- Todos os Caetanos do Mundo 
- Cachorro Cego Blues e Afins  
- Fusão Música Instrumental  
- Beira Kaos  
 
Discografia: 
 
- Unleash Hell, Thermopylae (2005)  
- Beira Kaos, Aqueles Caras (2010) e Bonança (2013)  
- Crivo (2014)
- Nora Lobato (2014) 
- Rodrigo Tavares (2014) 
- Thiago de Matos (2015) 
- Gabriel Lisboa, Quinze Passos (2015)
  
 
 

Acompanhe a entrevista:

Como você começou a se interessar por música? Vem de casa?

Apesar de não ter nenhum músico na família, não lembro de algum momento em que não estivesse ligado em música, sempre escutei de tudo em casa: samba, rock, jazz, ópera...engraçado que cada familiar gostava de um estilo, então fui me acostumando desde criança a esse tipo de apreciação "gratuita".


Você cresceu ouvindo algum gênero especifico?

Não, sempre fui aberto a novas experiências sonoras. Claro que num certo momento você começa a ter suas preferências e foi quando comecei a estudar música que certos gêneros começaram a ser mais marcantes - como o jazz, bossa nova, funk americano e o fusion.

Além de tocar bateria, você também é pianista. Fale sobre sua relação com esses instrumentos, e como isso te ajuda musicalmente.

Uma vez li no "A Work in Progress" do Chick Corea, que ele pensa que seus dedos são como baquetas! Chick Corea é uma das minhas maiores influências e sempre quando o escutava pensava exatamente nisso, é um pianista muito rítmico e isso me interessou bastante. Acredito que pelo fato da bateria ser um universo de sons e possibilidades quis transferir essa minha experiência para o piano e sempre procuro escutar coisas novas, pesquisar produtos novos, etc. Acredito que todo instrumentista deveria ter essa experiência de tornar o seu instrumento mais rítmico, explorar seus sons e possibilidades. 
Minha relação com o piano é exclusivamente dedicada à composição. Gosto de sentar no instrumento e tocar, sem me preocupar com o que estou fazendo num primeiro momento: qual tonalidade, escala, acorde, etc. O que me importa é o som, o som é maior que tudo isso. Também prefiro assistir vídeos a ler partituras, não que eu não goste de ler mas acho que quando você assiste um instrumentista a sua relação com a música se torna mais próxima e mais confortável. Só quando estou certo do que fiz, aí sim escrevo tudo...gosto muito de registrar idéias, seja em partitura, áudio ou vídeo.
 
Quais influências você tem na música? 

Quando você começa a compor você enxerga como aquele montante de coisas que você escutou e escuta pode te influenciar de forma intensa em um projeto. Tenho verdadeira admiração por Chick Corea, Esbjorn Svensson, Antônio Loureiro, The Bad Plus, Brad Mehldal, Pat Metheny, Ari Hoenig, Tigran Hamasyan, Gretchen Parlato, Tom Jobim, Djavan, Gilberto Gil, Trio Corrente, entre outros. Melodias simples (e marcantes) como as encontradas nas canções de Marina Lima, Sade e Seal também me influenciam muito...procuro sempre misturar idéias.

E baterista, você se espelha em algum?

Minha primeira grande influência foi meu primeiro professor, Roberto Veitenheimer. Um grande amigo que me ajudou muito a seguir na carreira e que principalmente me ensinou a gostar do instrumento, a pesquisar e a tocar, tocar muito...conhecer o instrumento.
Sou muito influenciado por Dave Weckl, Antonio Sanchez, Gavin Harisson, Budy Rich, Dennis Chambers, Bill Sewart, Edu Ribeiro, Cuca Teixeira, Mike Clark, David Garibaldi e Neil Peart.
 
 
O que te motivou a produzir seu primeiro disco solo?

Quando comecei a estudar piano há alguns anos me veio uma vontade grande de criar algo meu, sair um pouco dos trabalhos que até então estava focado, e mergulhar em algo próprio. Foi quando em 2013 completei quinze anos de carreira e resolvi montar o "Quinze Passos", nome do disco e que se refere a esses quinze anos...uma espécie de comemoração. 

Como foi feita a produção, em relação ao pessoal envolvido? Explique também, no papel de compositor e arranjador, como foi esse processo.

O disco foi totalmente independente, recursos próprios...fiz tudo, desde arranjos até a montagem da arte do disco. A sensação de criar algo do zero e ver o produto se transformar é algo único. O processo foi lento e prazeroso, fiz a pre-produção no meu home-studio com inúmeros experimentos...queria entregar um trabalho para as pessoas que eu realmente acreditasse. Gravei os pianos e a bateria e fiz questão de convidar amigos de longa data para gravar os demais instrumentos, são eles: Maicol Nunes (Guitarra), Deilson Silva (Piano na faixa "Sempre Assim"), Leonardo Lopes (Contrabaixo), Robson Saquett (Saxofone), Cristiano Zannini (Guitarra) e tive a participação especial do pandeirista Túlio Araújo, na faixa que abre o disco, num duo de piano e pandeiro.
Um dos maiores presentes na pré-produção foi ter descoberto as músicas do E.S.T (Esbjorn Svensson Trio). Certo momento "travei" nas composições, o que é normal, mas o universo me presenteou com esse grupo que soube trabalhar improviso, experimentos sonoros e arranjos que me impactaram muito, bastou escutar "When god created the coffebreak" e "A Picture of Doris Travelling with Boris" pra que eu dissesse: "É isso que eu quero fazer." Infelizmente Esbjorn Svensson faleceu há alguns anos mas ficaram excelentes vídeos, discos, e horas de estudo.

Hoje, além do trabalho solo, bandas e outros artistas, você também é professor de bateria. É um trabalho focado na teoria ou na prática de exercícios? Você segue algum método?  

Quero que meus alunos tenham o mesmo tipo de experiência que tive e que principalmente amem o instrumento...Gosto de trabalhar prática e teoria em paralelo, desmistificar a sensação de que ler partitura é difícil que, ao contrário, te traz independência nos estudos. Não utilizo métodos específicos, mas faço questão de sempre colocar uma música para ser executada em cada aula, e que o aluno continue pesquisando fora dela. Se você não motiva o aluno é muito provável que ele desista porque ele pode estar "preso" ao que é dado em aula, mas se você o encoraja e mostra que o estudo deve ser continuo e prazeroso, sua evolução é garantida.
Outra experiência incrível que venho tendo há alguns anos é lecionar bateria para crianças a partir dos 3 anos. Sou licenciando em Educação Musical pela UEMG os estudos sobre educação infantil são evidentes no curso. A criança precisa ser constantemente motivada a criar e a desenvolver suas habilidades, e eu me surpreendo constantemente com algumas crianças que chegam na aula com idéias que elas mesmas desenvolveram em casa, ou escutaram tal música e as executam do jeito delas.
 
 
Com uma carreira já direcionada, em relação a gravar e acompanhar outros artistas mineiros, seu foco agora é a carreira solo?

Meu foco é continuar tocando, seja com artistas ou em projetos solos. Comecei a estudar violão há algum tempo, tenho essa necessidade de sempre aprender algo novo, um instrumento novo, escutar algo novo, compor, etc.  

Tem outros projetos ou planos futuros?

Tenho grande vontade de montar um grupo onde eu seja o pianista, mas ainda é um plano futuro. Estou focado agora na divulgação do meu disco, realizar workshops, acompanhar artistas/grupos e continuar lecionando.

Quem quiser conhecer seu trabalho, onde encontra o disco?

No meu site Gabriellisboa.com.br vocês podem conferir tudo sobre meu trabalho e ainda adquirir o álbum "Quinze Passos" no formato físico ou digital. 

Muito obrigado!
 

FICHA TÉCNICA: 

Quinze Passos (2015)

Gabriel Lisboa - Bateria, Piano e Produção 
Túlio Araújo - Pandeiro em "Imprevisto"
Robson Saquett - Saxofone 
Leonardo Lopes - Contrabaixo 
Maicol Nunes - Guitarra em "10 03"
Cristiano Zannini - Guitarra em "Camaleão" e "Sempre Assim" 
Deilson Silva - Piano em "Sempre Assim"
Fred Chamone - Violão em "Dança"
Gravação - Studio Independente, em Belo Horizonte (MG)


 
 
Gabriel Lisboa Site |  YouTube | Facebook | Instagram
 

Comentários

Veja também: Todas as entrevistas