Dia Internacional da Mulher: Bate-papo com a baterista Fernanda Terra

08 de março de 2015, por Rafael Ferraz
Em especial pelo Dia Internacional da Mulher, a baterista que já tocou com importantes nomes do metal, hardcore e punk do cenário underground brasileiro, Fernanda Terra é a nova entrevistada do site Batera. Este bate-papo revela um pouco da carreira de uma super batera com atividades que têm tudo haver com a data -- shows e gravações com bandas, projetos, oficinas, aulas e muito mais.
 
Hoje representante das bateristas e percussionistas do país, Fernanda desenvolve diversas atividades na música. Além de integrar o grupo de folk rock, Leprechaun, e a Extermina -- banda metal só de mulheres, ela também acompanha uma violoncelista, apóia o Girls Rock Camp, já participou do Lady Fest Brasil, e apresenta no próximo dia 15 de março uma oficina para meninas, também em homenagem ao Dia das Mulheres, entre outras novidades.
 
Baterista há 23 anos, Fernanda tem pegada e peso nas baquetas. Começou tocando bateria em 1992 quando foi morar em Brasília, onde teve aulas com Daniel Oliveira. Depois, quando voltou para São Paulo, foi aluna de três grandes professores: Duda Neves, Lilian Carmona -- que introduziu a leitura rítmica -- e Dino Verdade, bateristas que têm forte influência em sua carreira artística.
 
Além do metal e, hoje no bluegrass e folk rock -- novidades para Fernanda, a batera já toucou com bandas de hardcore e punk como, Food 4Life, Baby Scream, Hellas, Touching Lips, No Fashion, Final Fight, Gutter Cats, Lyrex, entre outras. Tem influências de Dave Lombardo, Terry Bozio, Vinnie Paul, Mitch Mitchell, John Bonhan, Keith Moon e Virgil Donati, entre outros, além dos brasileiros, João Barone, Aquiles Priester, Vera Figueredo e Iggor Cavalera.  
 
 
Tocando bateria desde a década de 90, Fernanda redou o país com a antiga banda Food4Life, no ano 2000, e logo começou dar aulas particulares de bateria. "Mas isso durou pouco tempo por reclamações dos vizinhos", segundo biografia. Na sequencia, fez teste para tocar na banda do Altas Horas, enfrentando na grande final a baterista Vera Figueredo. Já em 2002, tocou nos Estados Unidos com a banda Dominatrix, nas cidades de Los Angeles, Santa Bárbara, São Francisco, Sacramento e Seattle. 

Mais adiante, em 2006, Fernanda criou a Final Fight, banda punk rock com pegada hardcore. Com o guitarrista Chris Skepis (ex-Cock Sparrer) e o baixista Demente (Juventude Maldita e Phobia), o grupo terminou em 2011. No final de 2008, lançou o CD 'Quem de Medo Corre, de Medo Morre', e já no ano seguinte entrou na banda Lyrex.
 
Interessada em ritmos brasileiros, Fernanda voltou a estudar em 2010. Realizando o seu sonho de tocar heavy metal com ritmos brasileiros com pegada de Sepultura, Slayer e Suicidal Tendencies, formou a banda Nervosa. Na Expomusic desse mesmo ano, teve seu nome em modelo signature de baquetas. No ano seguinte ainda teve mais conquistas: assinou o primeiro contrato internacional com uma marca de pratos, entrou para times de endosses de lojas e estúdios.

Iniciando 2012 na Bahia, ministrou oficina de bateria em evento feminista chamado Vulva La Vida. Com a Nervosa em estúdio para sua primeira demo, gravou o clipe de Masked Betrayer, lançado no Youtube - com menção honrosa por ser um dos mais vistos do mês no site, e assinou com o selo austríaco Napalm Records. 
 
 
Com o sucesso dos projetos em que se envolveu, Fernanda já assinou contratos com grandes marcas de bateria, peles, acessórios e vestuários. Atualmente na Extermina e no Leprechaun, também é batera substituta do Detonator e as Musas do Metal.
 
 
Confira o bate-papo Batera:

Falando de música pesada neste bate-papo especial pelo Dia Internacional das Mulheres, o assunto ganha ainda mais peso com a Extermina -- banda de metal só de mulheres. Como é a convivência entre tantas mulheres? 

A Extermina é uma banda de metal só de mulheres, em português. A banda é nova mas já temos alguns vídeos ao vivo no Youtube. A gente tem uma boa convivência, só não é maior porque cada uma mora em uma região de São Paulo, e a vocal em Mogi (das Cruzes - cidade do interior paulista). Mas sempre que estamos juntas é só festa!
 
 
 
Curta abaixo um vídeo ao vivo da banda Extermina - Na Trinca:
 
  

 
 
Você comentou sobre uma oficina para meninas, como será o trabalho?

A Casa das Rosas (Núcleo Educativo) me chamou para essa oficina que vai ser realizada agora dia 15 de março. Esse mês ta cheio de evento para as mulheres lá e eles resolveram me chamar pra fazer uma oficina para meninas de 4 a 10 anos. Elas vão desenvolver instrumentos e tocar juntas num batuque coletivo no final.
 
Feminismos a parte, você apóia o Projeto Girls Rock Camp (para meninas), participou do Lady Fest Brasil (para mulheres) que apesar de já fazer algum tempo, é um evento que rola também fora do Brasil, e ainda trabalha com uma violoncelista. Fale mais da sua participação nesses projetos.

A oficina na Lady Fest foi minha primeira oficina em 2010... Foi uma experiência muito legal, tanto que continuei fazendo. O Girls Rock Camp foi incrível, evento só para meninas também. Em uma semana elas tem que aprender a tocar um instrumento, montar uma banda, fazer uma música e se apresentar no fim de semana, fora aulas de defesa pessoal, skate, artes. É muito legal ver tudo aquilo pronto. Eu ensinei as bateristas a tocar e produzi uma banda que chamava MetalGirls, no dia da apresentação fiquei mais ansiosa que quando toco com minhas bandas, deu tudo certo e foi legal o resultado. Tem vídeo no Youtube. (Assista abaixo)
 
  
 

Em seus 22 anos de baquetadas pelo país e no exterior, o que você acha que mudou ou precisa melhorar, seja em relação ao mercado ou quanto a cabeça da sociedade - o papo de preconceito e tal, ainda existe?

Eu acho que mudou muito, não sei se é por que respeito vem com a idade ou se em meados dos anos 90 era tudo mais difícil... Nunca imaginei conseguir patrocínio tocando em banda underground sendo mulher. Naquela época não tinha. As pessoas me cobravam o fato de eu ser feminina e tocar bateria, me falavam que eu não ia chegar a lugar nenhum por que precisava ser viril pra tocar o instrumento, e isso acabou virando foco. Eu precisava provar para o mundo que dá sim para ser feminina e tocar o instrumento. E não tem nada a ver o que essa galera tava falando. Depois que você aprende algumas técnicas, descobre que não precisa nem ter força pra tocar forte, fica fácil provar isso. Mas ainda hoje tem uns atrasados. Eu não ligo muito, até por que me da dó ver o cara com uma cabeça atrasada em pleno 2015.
 
Como foi a vez que você disputou a vaga da banda do Altas Horas com a Vera Figueiredo?

Fui chamada pra fazer o teste, aliás fiz vários testes pro programa, e passei. Fiz teste com uma banda só de loiras com a Syang e outras meninas, entre vários outros tipos de bandas. E aí, no último teste, quando entrei no camarim eu dei de cara com a Vera, fiquei até triste (risos), já sabia que eu ia perder a vaga... E foi o que aconteceu mesmo!
 
Depois de passar por bandas de diferentes estilos - punk, hardcore, metal - como você trabalha sua pegada no som do Leprechaun de folk rock? Como é essa transição de estilos dentro do rock n roll?

Pra mim é natural tocar esses estilos porque são coisas que eu ouço, só o folk rock ta sendo uma novidade. Estou adorando tocar bluegrass, mas ainda é uma coisa nova pra mim.
 
Aliás, você comentou sobre novidades no Leprechaun. O que a galera pode aguardar, é supresa?

A gente está pra gravar vídeos tocando clássicos do rock versão folk acústico. Não vai demorar muito pra estar no ar. Vocês podem seguir nossa pagina no facebook pra saber quando vai ao ar e todas as novidades. 
 
 
  
Quanto ao set, você usa o mesmo kit de bateria em cada trabalho?

Não. O Leprechaun quando é acústico eu só uso caixa, bumbo e chimbal ou até mesmo um cajon. Mas no caso de um show grande uso a bateria completa. Na Extermina uso a bateria completa, configuração normal e pedal duplo.
 
Além das bandas você ainda consegue tempo para ensinar bateria em duas escolas. Como você prepara os alunos? Segue algum método específico?

Eu dou aula em 2 escolas e num estúdio também, cada escola tem seu próprio método. No Everdream é aquele método da TKS feito pelo meu ex-professor Duda Neves. No Lado B é um método exclusivo da escola. No estúdio estou usando o método do Rui Mota mas to preparando meu próprio método que deve ficar pronto ainda esse ano. Acho importante saber todos os ritmos sim, pelo menos ter uma base de todos.
 
Você vai começar workshops e treinamentos de uma grande marca - como será?

Esse ano eu renovei o contrato com a Yamaha e estamos planejando muito trabalho para o ano todo. Workshop vai ser aberto ao público e o treinamento vai ser para os lojistas do Brasil inteiro. Estou muito animada pra começar.
 
E na sua carreira solo, pretende lançar algum disco, há projetos paralelos às bandas?

Quem sabe um dia... Pensei nisso há um tempo atrás, mas as bandas tomam muito tempo e me enrolei, até porque prefiro tocar com banda que ser solo.

Planos para o futuro?

Terminar meu método, ter meu próprio estúdio e gravar com a Extermina ainda esse ano. Ah tenho muitos planos ainda para minha vida musical, vocês podem ir acompanhando pela minha página no facebook, publico tudo lá!
 

Assista abaixo ao vídeo de Fernanda Terra - Drum Cover, System of a Down - Toxicity:
 
 
 
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