Gustavo Campos: Batera carioca vive (muito bem) da música em Los Angeles

24 de dezembro de 2014, por Rafael Ferraz
Há poucos dias de encerrar 2014, nesta véspera de Natal, o baterista carioca que há três anos vive em Los Angeles, Califórnia (EUA), Gustavo Campos é o novo
entrevistado do site Batera, onde já participa como autor de artigos e, agora, contando um pouco da sua história. Nascido em abril de 1982, no Rio de Janeiro, o jovem baterista e produtor musical atua profissionalmente desde 1999, tocou em diversas bandas e passou grandes mestres da bateria.

Graduado em bateria pela Musicians Insttute (MI), Hollywood (CA), onde estudou de 2012 a 2014, o baterista Gustavo já passou pelos professores Luis Henrique, Pascoal Meirelles (Berklee), Oscar Bolão (Uni-Rio), Rob Carson, Garry Hess, Donny Gruendler, Chuck Flores, Ed Roscetti, Ryan MacMillan, Tim McIntyre, Jeff Bowders, Ryan Brown, Charlie Waymire, Fred Dinkins, Chuck Silverman, David Salinas, Sammy J Watson, Dave Elitch, Matthew Garstka e Gil Sharone.

Músico versátil do bairro carioca de Vila Isabel, além de frequentar a EPM na Uni-Rio (Escola Portátil de Música), com foco na música brasileira regional, Gustavo também passou pelo Conservatório Brasileiro de Música. Parceiro do site Batera, o maior portal sobre bateria e percussão do Brasil, o baterista conta que está há 15 anos fazendo shows e gravando em seu próprio estúdio -- o 'GC Lab Studio', em sua cidade natal, onde além de gravar bandas de SP, MG e RJ, ainda ministra aulas particulares desde 2004.

O músico já se apresentou em grandes festivais pelo Brasil, tocou na Expomusic em 2007, tocou e gravou com bandas do cenário underground do Rio de Janeiro, bem como freelancer em projetos ao vivo ou em estúdio e, em 2013, foi semifinalista do concurso 'The Battle Of Bands' do Hard Rock Café, em L.A. Tocou em diversos projetos nos EUA, saiu direto da faculdade para uma tour por quase todos os estados americanos com a banda Reign Of Lies, da Suíça, substituindo o baterista da banda Opeth.

Atualmente como baterista na banda 'Parasoul', que está finalizando seu primeiro EP, Campos também está gravando a bateria do novo disco da 'Region of Lies', com produtor ex-Machine Head -- trabalho conquistado em audição com bateristas vindos até da Holanda, entre outros países. Ainda nos EUA, hoje o Gustavo Campos segue se apresentando em shows, tours, gravações e dando aulas via Skype e presenciais.


Confira o bate-papo e as dicas do batera:

Você foi estudar nos EUA e acabou esticando a estadia. Como tem sido nesses últimos 3 anos?

Eu já vivia confortavelmente com música, tenho meu estúdio e tocava bastante. Havia acabado de largar o curso no conservatório, em 2010 para 2011, quando decidi tentar algo maior e estudar música aqui nos EUA. O plano inicial era me formar e ficar um tempinho a mais para tentar a sorte. Me formei em março de 2014 e consegui um visto temporário de trabalho para ficar mais um pouco e essa é a minha situação agora. Em janeiro/fevereiro de 2015 tentarei um novo visto que me permitirá ficar mais 3 anos ou voltar para o Brasil. Tenho em mente ficar aqui no mínimo 5 anos.

O Batera já entrevistou músicos que tocaram no exterior e comentaram como a música brasileira é bem recebida lá fora. Qual é sua opinião?

É verdade, mas não é uma regra. O fato de ser brasileiro me abriu portas. Logo nos primeiros dias na faculdade conheci o Chuck Silverman, que virou um grande amigo e mentor, pra quem não sabe o Chuck era um grande amante da música brasileira e latina, bem como referência nos gêneros.

Além de tocar bateria, aqui no Brasil você tem um estúdio de gravação. Pretende seguir com os trabalhos como produtor?

Abri meu estúdio em 2004, a princípio fazia apenas gravação, de uns quatro anos pra cá, abri para ensaios também. Nos tornamos referência e segunda casa das principais bandas da região dos lagos e gravamos muitas bandas de fora do estado, o estúdio fica em Cabo Frio (RJ).
O estúdio continua funcionando apenas para ensaios, quem comanda é meu pai, que aprendeu um pouco de áudio na marra para tocar o trabalho enquanto eu estiver fora. Tenho planos de voltar a gravar quando voltar ao Brasil.

Atualmente você está com dois novos projetos. Comente sobre eles?

Estamos no meio de um longo e árduo trabalho em estúdio com a banda Parasoul, tocando bateria. Começamos a gravar em maio de 2014 e devemos lançar as músicas em junho/julho de 2015. Já com o Reign Of Lies foi tudo muito rápido e já fiz minha parte. Quem está produzindo é o Logan Mader, ex-Machine Head.


Em conversa com o site Batera você falou do interesse em lançar um livro. Seria um trabalho didático, estudos e exercícios?

Não me sinto preparado, mas quase nunca me sinto preparado pra nada, faço as coisas sem pensar muito e sigo meus extintos. Queria dar algo de volta a comunidade baterística daqui dos EUA, resolvi fazer um livro sobre música brasileira focado para pessoas que não tocam esse estilo. Quero provar que saber música brasileira é muito bom, mesmo que você nunca venha a tocar o gênero, muitos bateristas de rock têm usado padrões brasileiros e a ideia é meio que essa: aplicação de padrões brasileiros em outros gêneros.

Por que um livro? Alguma previsão de lançamento? 

Livro ainda é a melhor forma de se educar. Eu, por exemplo, ainda compro muitos livros, não só de bateria ou música, mas de qualquer outro assunto. Penso em lançar em junho/julho de 2015 o primeiro volume, que é sobre samba, e na sequencia fazer mais outros dois. Ainda estou na fase de escrever as ideias, mas está tudo montado na minha cabeça. 
 
Do que um músico carioca mais sente falta quando vive em outro país, com cultura, pessoas, músicas e gostos diferentes?

Açaí, eu sinto muita falta de açaí, quase todo dia. Falta da família e dos amigos. Mas faz parte e estou aqui por um objetivo maior, feliz que todos compreendem.

E o inverso - aquilo que foi buscar e que viu de melhor nos EUA que não encontrou no Brasil?

O fato de poder planejar sua vida profissional, só isso já vale. Ser levado a sério como músico, facilidade para comprar e encontrar instrumentos, o cenário é ruim também, porque música é difícil em qualquer lugar, mas é muito melhor que no brasil.

Planos para o futuro? Quais serão próximos passos - aliás, as próximas baquetadas do baterista Gustavo Campos?

Meus planos são de ficar nos EUA mais um tempo, lançar meus três livros aqui, gravar e tocar ao máximo, fazer mais tours e dar mais aulas, inclusive em escolas/faculdades.

Deixe sua mensagem de Natal e fim de ano - seja pela música em geral, seu trabalho e a classe de bateristas?

Não desejo nada em específico, me sinto abençoado por ter tudo que preciso e fazer o que eu gosto, portanto, minha mensagem seria: se queres um ano novo melhor, comece se perguntando se você faz o que ama, se não faz, mude e comece a fazer, a vida é uma só e o tempo está passando. Não deixe o cotidiano te fazer uma pessoa amargurada e longe dos seus sonhos. Não existe nada que você não possa fazer ou conquistar. Feliz natal e ano novo a todos! Deixo aqui meu contato para os interessados em aulas via Skype ou qualquer outro assunto: gustavocamposoficial@gmail.com.br.
 
 
 
Assista Gustavo Campos com Reign Of Lies '14 US Tour:

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