Lara Klaus: Baterista e percussionista do Brasil para o mundo

16 de dezembro de 2014, por Rafael Ferraz
A percussionista, baterista, cantora e compositora graduada pela Universidade Federal de Pernambuco (Brasil) e Universidade de Aveiro (Portugal), Lara Klaus recentemente levou sua zabumba do sertão pernambucano ao deserto norte-americano através do OneBeat -- programa do Departamento de Educação e Cultura do Governo dos EUA, que reuniu 25 músicos de 17 países. Em seu terceiro ano, o encontro aconteceu de 8 outubro a 5 de novembro.

Durante um mês de turnê por três estados norte-americanos -- Califórnia, Arizona e Novo México -- o programa que cultiva uma rede internacional de inovações   artísticas, tecnológicas e sociais na música, ofereceu estrutura para produzir, gravar, tocar e trocar experiências com o objetivo de incentivar a criação de projetos nas comunidades nos países de origem dos participantes. Produzido pelo Found Sound Nation, o programa promove o empreendedorismo social em que músicos do mundo todo podem lançar projetos colaborativos de impacto positivo nas comunidades locais e globais. 

A única representante brasileira no OneBeat, Lara Klaus ministra regularmente workshops de percussão e música do nordeste brasileiro, dentro e fora do Brasil. Participou em 2012 do Festival Espírito Mundo, na França e, logo no ano seguinte, foi a Nova York (EUA) ministrar workshops na New York University e na escola Maracatu New York. Entre seus diversos trabalhos, Lara participou de importantes festivais de música pelo mundo como, o Montreux Jazz Festival, na Suíça; além do Latino Americano, na Itália; e o Samba Festival, na Alemanha. 
 
Com apenas 28 anos, a multi-instrumentista já tocou com diversos grupos e artistas como Roberto Menescal, Emílio Santiago, Moraes Moreira, André Rio, Luciano Magno, Zé Manoel, Bernie Worrell (Parliament-Funkadelic), Josildo Sá, Cezzinha, Mariana Belém, André Macambira, Carlinhos Veloz, Kiko Klaus, Nena Queiroga, Gihna Pullso, Gerlane Lops, Zeppa, Mu Chebabi, Marcos Assumpção, Kadu Vianna, Pochyua e Cambaçu, Kate Bentley, Felipe Fontenelle, dentre outros. Recentemente, em 2014, Lara integrou a turnê de São João da cantora Elba Ramalho. 
 
Nascida em Recife (PE), onde ensina percussão e bateria, Lara promove a inclusão de pessoas com síndrome de Down através da arte -- dança, teatro e música --  pela ONG Integrarte, como diretora musical do grupo de percussão Maracaarte. Além disso, atualmente acompanha Zé Manoel (cantor, pianista e compositor); toca a música instrumental do guitarrista Luciano Magno; com a artista Nena Queiroga; a cantora e contadora de histórias, Carol Levy; e o trio La Dama, resultado do OneBeat com Lara, a venezuelana Mafer Bandola e Daniela Serna, da Colômbia. 

Neste bate-papo Batera, Lara Klaus fala sobre seu começo na música; como realiza cada uma das funções, como artista solo, em bandas e acompanhando outros artistas; além de seus projetos e a participação no OneBeat.
Acompanhe:


Como você começou na música?

A música sempre foi muito presente, mesmo antes de eu demonstrar interesse em tocar algum instrumento. Minha mãe tocava um pouco de violão e, sem dúvida, foi um estímulo. Além disso, sempre escutamos muita música boa dentro de casa, de bossa nova aos Beatles. Foi assim que comecei a estudar teclado, em seguida violão e, então, bateria. A percussão, inclusive, veio como consequência da bateria.  

Você é percussionista, baterista, cantora e compositora. Como realiza cada uma dessas funções de artista solo, em bandas e acompanhando outros artistas?

As três primeiras atividades, em geral, aconteceram de forma simultânea. Hoje em dia é mais comum se ver percussionistas e baterias que fazem vocal e assumem o papel de vocalista principal de um projeto. Comigo acabou acontecendo de forma natural, uma vez que costumo cantar com os artistas com quem toco e na maioria dos projetos que participo, solo ou não. Sempre gostei de perceber como os compositores organizam suas ideias no papel e, assim, comecei a me interessar pela composição, apesar de nunca ter sido minha atividade principal. No início a gente não se orgulha muito do que faz (risos), mas a medida que vai amadurecendo, se trabalha com mais segurança e de forma mais orgânica. 
 
Em Recife, você também faz parte da ONG Integrarte, com pessoas que têm síndrome de Down. Como é esse trabalho?

O foco principal do Integrarte é o trabalho com artes - música, teatro e dança, com o objetivo de desenvolver as habilidades dos alunos, além de buscar a valorização e divulgação da cultura, sobretudo a nordestina, e a integração social. 
Desenvolvo com eles trabalho com ritmos da nossa cultura, conhecendo e experimentando novos instrumentos e possibilidades musicais. Temos também um grupo de maracatu chamado Maracaarte, no qual trabalhamos esse ritmo tradicional da cultura pernambucana, sempre somando a novas ideias e características de outros estilos musicais. Para conhecer um pouco mais do Integrarte é só acessar www.integrarterecife.com.br. 

Conhece o projeto Alma de Batera em São Paulo, que também faz trabalha com inclusão? 

Conheço um pouco desse trabalho e acho maravilhoso. Qualquer iniciativa no sentido de auxiliar o desenvolvimento das pessoas que desejam tocar um instrumento são mais que válidas! Em especial quando se trata de pessoas com algum tipo de deficiência física ou mental.  

Você também ministrou workshops na França e nos Estados Unidos. Como eles vêm nossa música regional no exterior?

A nossa música sempre foi bem recebida nos lugares que fui. Há sempre grande interesse e curiosidade a respeito dos nossos ritmos, da nossa forma de tocar. Na New York University, por exemplo, conversamos sobre música brasileira, além da origem de alguns ritmos e suas influências. Além de sempre discutirmos sobre o que o Brasil possui de curiosidade e de diferente, é impressionante perceber a quantidade de características em comum que a música de países distintos podem possuir. 

Recentemente você participou do OneBeat. Como conseguiu estar entre os 25 músicos de 17 países? 

Ao saber da abertura do edital desse projeto, fiquei animadíssima com a ideia de trabalhar com músicos de diversas partes do mundo. Alguns dos pré-requisitos eram sermos músicos experientes e realizarmos em nossos países algum tipo de trabalho voltado para a comunidade. Foram mais de 1500 pessoas inscritas no mundo todo. Na edição deste ano estiveram presentes músicos de países como Iraque, Indonésia, Zimbábue, Colômbia, Venezuela, Cuba, África do Sul, Índia e Egito. Juntos, produzimos repertório inédito, ministramos e participamos de oficinas e workshops e saímos em turnê pela Califórnia, Arizona e Novo México. 

Entre outras coisas, o programa também incentiva a criação de novos projetos em comunidades. Como foi com você?

Depois dessa experiência tão intensa e transformadora, voltei com a cabeça a mil. Um dos projetos que pretendo colocar em prática em 2015, produto das experiências do OneBeat, se chama La Dama e é composto por 3 musicistas da América do Sul que participaram do programa: eu (Brasil), Mafer Bandola (Venezuela) e Daniela Serna (Colômbia). A nossa ideia é promover workshops e shows para a comunidade, com o objetivo de falarmos sobre o empoderamento da mulher e estimulá-la a se inserir em áreas que, até então, são dominadas pelo mundo masculino. 

Qual é a importância deste tipo de programa para um artista seguir com os próprios projetos?

Todo artista deveria ter a oportunidade de vivenciar experiências como essa, uma vez que mexe com o nosso processo criativo e nos faz perceber as diversas formas de colaboração que podemos estabelecer com outros artistas e outras culturas. Com certeza abriu minha cabeça para novas ideias e projetos, me tornando uma pessoa muito mais dedicada ao que faço.

Novos projetos e planos para 2015?

São muitas as expectativas para o próximo ano. Estou produzindo um EP com algumas composições minhas e parcerias, há também o projeto La Dama, além de outros que ainda estão sendo articulados.
 
Fotos: Hannah Devereux (www.hannahdevereux.com)

 

Assista abaixo ao vídeo oficial do OneBeat 2014:

 
 

Lara Klaus acompanha Luciano Magno - Frevo Mágico (Guitar Player Recife 2012):

 

 

Pocket Show de Lara Klaus com André Macambira - Leonor (Itamar Assumpção):

 

COCO workshop de percussão com Lara Klaus - Maracatu New York: 

 
 
 
 Veja mais fotos do OneBeat no Photoblog, clicando aqui,  ou no Instagram, aqui. Para conhecer o programa norte-americano acesse o site OneBeat, e o portal Found Sound Nation. Acompanhe Lara Klaus no seu site Oficial e na ONG Integrarte, aqui.
 

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