Baterista revela que Ramones poderia ter retornado após aposentadoria

15 de setembro de 2015, por Rafael Ferraz
 
Mesmo considerando correta a decisão por um fim nas mais de três décadas de sucesso da lendária banda de punk rock, Ramones, em 1996 - após o câncer de Joey Ramone, o baterista Marky Ramone acredita que o grupo tinha condições de ter voltado a se reunir anos mais tarde. O último show foi realizado em Los Angeles, Califórnia, em 6 de agosto de 1996.

"Tínhamos chegado ao ápice e era um bom momento para pararmos. Dessa forma, Joey poderia receber tratamento médico, mas acho que, se tivéssemos deixado passar quatro ou cinco anos de aposentadoria, poderíamos ter nos reunidos de novo", comenta o batera sobre a época em que o punk, gênero difundido internacionalmente pelos Ramones, voltou à moda graças a bandas mais novas como o Green Day.
 
O baterista Marky Ramone e o Green Day, em 2013  | Foto: Henry Ruggeri
 
Essas declarações de Marky surgiriam em recente entrevista à Agência Efe, no último dia 9 de setembro, pelo início de uma série de shows na Espanha e pela publicação de suas primeiras memórias no livro "Punk Rock Blitzkrieg" - Minha vida como um Ramone, escrito com a colaboração do escritor Rich Herschlag.

Marky demorou cinco anos para escrever o livro, que começa em sua infância, quando era fascinado pelos músicos que escutava no rádio, antes de descobrir os Beatles pela televisão, no programa de Ed Sullivan, em 1964. "Eles me impressionaram, eram muito animados. Gostava especialmente do Ringo, que era como um personagem de desenhos. Eles me influenciaram muito", lembra o baterista.

Marc Bell, nome de batismo de Marky, começou tocando com Richard Hell & The Voidoids, conhecendo os Ramones durante sua passagem pela famosa casa de Nova York, atualmente fechada - a CBGB, onde Lou Reed e o Velvet Underground, New York Dolls e The Stooges fizeram seus primeiros shows. Foi quando se iniciaram os problemas com o então baterista, Tommy Erdelyi, que o recomendou para substituí-lo na gravação de "Road to Ruin", em 1978.

"Eu tocava muito mais forte que Tommy, mas queria manter a intensidade original. Me senti parte da banda assim que eu entrei no estúdio", explicou Marky, que gravou oito álbuns com a banda, até "¡Adios amigos!" (1995).
 
 

Parte das histórias dos Ramones tem a ver com tumultos, vícios em drogas e desencontros, mas o quarteto que compartilhava o sobrenome artístico chegou a ser uma família feliz, como cantaram na música "We're a happy family". "Nesse ramo, é normal encontrar diferenças de opiniões, animosidades e brigas, mas as pazes são feitas e se continua. Por exemplo, fomos muito felizes quando nos demos conta da influência que a nossa música teve em bandas de todo mundo", afirma o baterista, de 59 anos.

Uma das brigas foi pelo cancelamento de um show em 1981, quando Bell - que já tinha problemas com álcool, não chegou na hora marcada após passar a noite em uma festa. Devido sua dependência, deixou o grupo em 1982 e retornou em 1987, já recuperado. "Não foi difícil ter de lembrar desses tempos, mas sim esquecê-los. Fiz o que tinha que fazer e parei. Se não tivesse parado, poderia estar morto", diz Marky.
 
 
O baterista acabou como o único sobrevivente entre os membros mais emblemáticos dos Ramones e, apesar de não ter sido um dos fundadores da banda, teve sua contribuição reconhecida em 2002, sendo incluído ao Hall da Fama do Rock and Roll junto com Dee Dee, Joey, C.J e o próprio Tommy, que o indicou para o grupo. "Toda banda, não importa qual, deseja o sucesso comercial, porque supõe chegar a mais pessoas. Quando ouço que um grupo diz não querer vender discos, não acredito", destaca. 

Atualmente o baterista continua a percorrer o mundo com sua banda, Blitzkrieg, que inclui seu amigo Michale Graves (ex-Misfits) no vocal. No início de 2010, eles lançaram seu primeiro single "When We Were Angles" com o ex-integrante da Sheer Terror, Mark Neuman, na guitarra e baixo. Marky segue em seu sétimo ano como DJ da Sirius - XM Satellite Radio, e também aparece em programas de TV, incluindo, Os Simpsons, Anthony Bourdain: No Reservations e ZRock.
 
 
No Brasil, o livro "Punk rock blitzkrieg - Minha vida como um Ramone", de Marky Ramone e Rich Herschlag, pode ser encontrado pela Editora Planeta, com 448 páginas no preço sugerido de R$ 54,90.
 
 
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