Natal é celebrado no ritmo da marujada no nordeste paraense

26 de dezembro de 2014, por Rafael Ferraz
No município de Bragança, nordeste do estado do Para, as comemorações de natal têm um ritmo diferente. Acontece que o santo protetor dos bragantinos, São Benedito, é sempre  homenageado nesta época do ano, com a Marujada. Assim, na manhã desta quinta-feira (25), a igreja do santo preto foi tomada por devotos, que entoavam as ladainhas -- cantoria que marca a festividade realizada há mais de 200 anos.

"É um dom que está no sangue, na veia no bragantino", diz seu José, coordenador das comitivas de São Benedito que entoa a ladainha há 30 anos. Segundo a Rede Liberal do Pará no G1, depois de orar, todos marujos e marujas seguem em cortejo pelas ruas de Bragança até o barracão da Marujada, e se reúnem para dançar os ritmos da festa: xote, valsa, mazurca, retumbão. 

As músicas são tocadas ao vivo por um grupo que usa instrumentos tradicionais, como banjo, tambor e rabeca. E a cada ano, novas crianças e adolescentes entram para a irmandade que, atualmente, conta com cerca de 150 participante.

A irmandade da Marujada foi fundada em 1798, por 14 escravos africanos que viveram em Bragança (PA). Naquela época, com permissão de seus senhores, esses escravos criaram a irmandade em homenagem ao seu protetor, São Benedito. E para agradecer, todos dançavam os ritmos da Marujada na casa dos benfeitores.

Devoção que mantém viva uma das poucas festas religiosas iniciadas pelos escravos no Brasil, a Marujada é motivo de orgulho para o povo bragantino. A festividade segue até hoje, sexta-feira (26), com procissão que sai da igreja de São Benedito, às 16h. 
 
 
 
 
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