Projeto Prego Batido apresenta Scott Kettner

14 de maio de 2011, por Site Batera

DIA 29 DE MAIO DE 2011 ÀS 17h NO SERRALHERIA
Rua Guaicurus, 857 – LAPA – São Paulo-SP

AULA ESPETÁCULO: 17h às 19h, R$ 40,00 (incluso apresentações e bate papo – retrato)
RETRATO (bate-papo): 19h30min

APRESENTAÇÕES: SCOTT KETTNER E EDELLA GRUPO: 20h Scott Kettner e às 21h Edella Grupo, R$ 10,00

Reservas aula: contato@pregobatido.com

Site: http://www.pregobatido.com/

O DNA DA BATERIA:
A bateria nasceu em New Orleans no começo do século 20 com as bandas de jazz que se chamavam "Brass Bands". Antigamente, essas bandas tinham 2 (ou 3) percussionistas que tocavam um bombo (bass drum) com prato montado em cima e outro percussionista tocando a caixa. Por causa da situação econômica e artística da época, as bandas começaram a explorar a possibilidade de ter 1 percussionista que colocava o bombo no chão com um pedal e a caixa entre a pernas. Esse procedimento ajudou no desenvolvimento do instrumento que hoje em dia nós chamamos de 'bateria'. Vou mostrar como os dois percussionistas tocavam o Second Line groove e como eles começaram a desenvolver a bateria.

A HISTÓRIA DO GROOVE NA BATERIA:
Antes do surgimento da bateria, os 2 percussionistas (mencionados acima) tocavam ritmos da música Second Line. Quando a bateria começou a se desenvolver, o percussionista tinha que mudar estes ritmos e adaptá-los para a bateria. Se antes precisava-se de 2 pessoas para tocar, com a bateria, só um músico era necessário. Scott Kettner vai mostrar a evolução desse groove na bateria e como ele é a fonte da orquestração de todos os ritmos na bateria. mostrando também como esse Second Line groove se desenvolveu se a batida do Jazz.

DO RIO CAPIBARIBE AO RIO MISSISSIPPI:
Maracatu e New Orleans Second Line na Bateria:
Orquestração do Maracatu básico na bateria.
A caixa de Maracatu e Second Line são iguais!!: DDED-DEDE
Orquestração melódica na bateria misturando Maracatu e Second Line

SCOTT KETTNER
Quando Scott Kettner olha para um mapa, ele vê uma linha direta que liga os rios do nordeste do Brasil às paróquias de Nova Orleans e às ruas do Brooklyn. Um mestre baterista, líder de diferentes grupos, produtor e compositor, Kettner é a força condutora por trás do Nation Beat, uma banda cujos ritmos vibrantes encontram-se em um terreno comum onde se misturam o ritmo do maracatu (primordial da região nordeste do Brasil), New Orleans’ funk, o hipnótico Second Line e os ritmos dos Mardi Gras Indians, bem como o jazz da grande cidade com sua liberdade irrestrita.

Para Kettner, a descoberta do maracatu foi uma experiência de mudança de vida. O grande baterista de jazz Billy Hart, que serviu como instrutor de Kettner na New York University's School, em primeiro lugar lhe contou sobre uma música, então, “misteriosa”. "Ele estava me apresentando a música africana de diferentes regiões", disse Kettner ", e começamos a entrar em ritmos afro-cubanos e ritmos brasileiros. Depois de alguns anos estudando o samba e a bossa nova, eu lhe perguntei: 'Existem outros ritmos do Brasil que eu deveria estar aprendendo? " Ele disse:' Sim, há essa música chamada maracatu!" Eu apontei para sua bateria e disse: "Mostre-me, e ele disse: 'Eu não sei como tocar o maracatu! Eu só sei que é um ritmo ‘forte e poderoso’ e você tem que ir aprendê-lo, depois volte e me ensine".
Intrigado, Kettner começou a perguntar aos músicos brasileiros em Nova York como ele poderia aprender sobre o maracatu. Mesmo os músicos brasileiros em sua maioria não sabiam nada sobre o maracatu. A única coisa que restava a fazer, pensou Kettner, era ir ao Brasil e encontrar maracatu. Após graduar-se em 2000, ele passou um ano morando no país, fixando residência principalmente na cidade nordestina de Recife, estudando maracatu e outros ritmos brasileiros.

Após retornar aos Estados em 2002, Kettner fundou a banda Nation Beat, incorporou os ritmos do maracatu com elementos de jazz e uma miríade de sons de Louisiana. As semelhanças entre a música brasileira, a qual ele aprendeu a amar, e os ritmos do sul com os quais ele cresceu, começaram a ficar bem aparentes para Kettner quando ele começou a compor músicas para a banda. "Há muitas semelhanças entre o forró, a música Cajun e o Zydeco", diz ele. Kettner continua: "maracatu é uma música que acontece em desfiles, basea-se em tambores, voz e loas, assim como as bandas de Second Line e Mardi Gras Indians de Nova Orleans. A ligação mais óbvia é a raiz africana que elas dividem. Há uma certa atmosfera de celebração que tanto a música de Nova Orleans como a do Recife têm, e nesta atmosfera eu encontrei uma forte ligação entre as duas. Comecei a explorar a idéia de trazer o rio Mississippi junto ao Rio Capibaribe de Recife".

Mas Kettner nunca se contentou apenas em gravar a música somente com seu próprio grupo. Ele voltou do Brasil para tocar maracatu, fundou também uma escola no Brooklyn, Maracatu New York ( http://www.facebook.com/l/bb641f1W7Tg9vqGc6G9ZFjIR2Yg/www.maracatuny.com), a fim de educar outras pessoas sobre o que tinha aprendido. Esta instituição continua firme e forte até os dias de hoje e é descrita como "O primeiro grupo de maracatu dos Estados Unidos e o único de Nova York dedicado ao aprendizado e a apresentações” da música e da cultura deste folguedo popular.

Desde que o maracatu chegou nos Estados Unidos – em grande parte graças aos esforços de Kettner – este ritmo vem conseguindo reclamar seu espaço. "Agora os grupos estão surgindo em todo o país", diz ele. "Eu vou a universidades de todo os Estados Unidos para ensinar forró, maracatu e diferentes abordagens de como integrar esses ritmos ao som da bateria. Eu fiz um programa de intercâmbio cultural entre Recife e Nova Iorque. Trouxe os estudantes para o Recife para o Carnaval. Tornou-se um movimento ".

O que Scott Kettner fará nos seus próximos projetos artísticos ainda não se sabe, mas pode-se ter certeza de que ele continuará a encontrar conexões onde outros não terão encontrado e continuará criando novos sons que ninguém nunca escutou. Como o próprio maracatu, ele apenas começou a fazer sentir sua presença no mundo artístico americano.

 

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