Caixa Pearl Virgil Donati Signature

24 de abril de 2006, por Ricardo Goedert

Vamos falar hoje de um instrumento de extremo bom gosto e requinte.

A Caixa Pearl Signature Virgil Donati, foi lançada há pouco mais de um ano no mercado. Poucas unidades chegaram ao Brasil, e uma delas vieram parar aqui, portanto vamos colocar a mão na massa e analisar um pouco mais dela.

Quando a Pearl e outras grandes marcas se propõem a criar um instrumento Signature, este sempre deverá oferecer e mostrar um pouco da personalidade própria de cada músico que a assina.

Virgil Donati é um “monstro” australiado, atual baterista do Ring of Fire, e de inúmeros outros trabalhos. Virgil é um baterista virtuoso de técnica apuradíssima, e se propôs a passar um pouco da sua fúria através desse instrumento.

A caixa tem mede 14x5”, medida extremamente versátil, sempre é bom lembrar a todos que caixas com medidas, 14x5, 14x5,5 e 14x6 são sem dúvida as mais versáteis, para encarar qualquer tipo de trabalho.

O casco tem 8 folhas (aprox. 10mm) e é híbrido, ou seja, há a mistura de duas madeiras nobres, 4 folhas de Birch e 4 folhas de Maple. O Birch vem trazer uma sonoridade mais aguda, seca e definida, juntamente com o Maple que somou mais volume, grave, médios, ressonância e harmônicos ao som da caixa. A borda superior da caixa é arredondada, com isso consegue-se um maior controle de harmônicos. A borda inferior tem o corte padrão de 45º, mas mostra algo único. No rebaixo da esteira é feito um corte, como uma caixa sinfônica, muito pouco e quase nunca visto em outras caixas de bateria.

Os Aros são MasterCast (die-cast), que proporcionam um rimshot mais poderoso, um melhor controle na afinação e uma secadinha básica nos harmônicos excessivos.

O Acabamento é chamado pela Pearl de Smoke Flake Finish, um grafite sparkle belíssimo, com um brilho reluzente e bem notado. As canoas são interiças, com uma aparência mais vintage e clássica, belíssimas. O automático é o já conhecido SR017, muito preciso, prático e macio.

A sonoridade é um caso sério, há nesse tambor uma absurda identidade própria, com uma sonoridade muito peculiar e única. A junção de tantos pontos diferentes resultaram em uma sonoridade exclusiva. O rebaixo da esteira cortada no casco, aumentou muito a sensibilidade para notas com baixa dinâmica, os rufos em doubles parecem correrem sozinhos, a baixa dinâmica vem extremamente definida e limpa, poucas caixas ou quase nenhuma das que peguei tem uma dinâmica tão perfeita, notas fantasmas aparecem claramente nota a nota, e esse resultado todo sem dúvida, foi o rebaixo da borda estilo caixa sinfônica, basta ouvirmos a música erudita, para percebermos como ela é feita de extrema dinâmica e sensibilidade. Quando começo a tocar com mais pressão é que percebo a cara do dono. O instrumento responde de maneira muito cheia, pesada, seca, mais pra médio-agudo com um rimshot que ajuda muito para um futuro mais surdo e silencioso. A idéia do Virgil Donati, era de construir um instrumento que oferecesse um timbre médio pra médio agudo, com uma nota fundamental bem parecida com caixas de metal, mais precisamente aço. E realmente conseguiu, apesar da borda superior arredondada, que deveria segurar mais a onda, a sonoridade é agressiva, porém facilmente domada.

O Valor não é baixo, não é fácil achá-la nas lojas, mas vale cada centavo, é um instrumento de extremo bom gosto e identidade própria, uma caixa que não se parece com nada do que eu já ouvi até hoje, isso pode ser ruim para alguns e muito legal para outros.


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